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Empresas familiares exigem diálogo, governança e planejamento para atravessar gerações, defendem especialistas na RA CIC

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Publicado em 18/05/2026

Livraria Rossi, por meio do diretor Marcos Victorazzi, é homenageada por seus 100 anos pelo presidente Ubiratã Rezler - Foto: Júlio Soares
Livraria Rossi, por meio do diretor Marcos Victorazzi, é homenageada por seus 100 anos pelo presidente Ubiratã Rezler - Foto: Júlio Soares

A sucessão nas empresas familiares precisa deixar de ser tratada como um acontecimento pontual e passar a ser conduzida como um processo estruturado, capaz de preservar relações, patrimônio e continuidade dos negócios. A avaliação foi compartilhada pela advogada e governance officer Luiza Fante e pelo sócio da Fami Capital Felipe Macedo durante a RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), realizada nesta segunda-feira (18). 

O evento, que também marcou a homenagem aos 100 anos da Livraria Rossi, reuniu empresários, lideranças e representantes do setor produtivo para discutir o tema “Governança, sucessão e legado: como preparar a empresa familiar para o futuro”. Momentos antes da palestra, o diretor da Livraria Rossi e vice-presidente de Comércio da CIC Caxias, Marcos Rossi Victorazzi, recebeu do presidente da entidade, Ubiratã Rezler, uma placa alusiva ao centenário da empresa, uma das marcas mais tradicionais do comércio caxiense.

Ao abordar os desafios enfrentados pelas empresas familiares, Luiza Fante destacou que a longevidade dos negócios depende menos de estruturas formais e mais da capacidade de diálogo entre as gerações. Integrante da terceira geração da Fante Indústria de Bebidas, ela afirmou que o ambiente familiar exige maturidade para tratar temas difíceis sem comprometer os vínculos pessoais. “A sucessão precisa ser um processo, não um episódio”, afirmou. Segundo ela, muitas empresas enfrentam dificuldades por centralização de poder, ausência de planejamento sucessório, conflitos geracionais e indefinição de papéis. Para Luiza, o senso de pertencimento e a comunicação transparente são fatores decisivos para manter o engajamento das futuras gerações no negócio familiar. 

A palestrante também ressaltou que governança familiar vai além da organização societária e envolve definição de propósito, clareza de responsabilidades, preparação de herdeiros e preservação dos valores que sustentam a trajetória empresarial. Dados apresentados por ela mostram que apenas 30% das empresas familiares chegam à segunda geração, enquanto somente 12% alcançam a terceira e 3% chegam à quarta geração. 

Felipe Macedo, por sua vez, concentrou sua apresentação na importância do planejamento patrimonial como instrumento de proteção e perpetuação das empresas familiares. Ele chamou atenção para os impactos tributários envolvidos em processos sucessórios e para a necessidade de antecipação das decisões relacionadas à transmissão de patrimônio. Segundo o especialista, planejamento sucessório exige análise multidisciplinar, considerando aspectos jurídicos, financeiros, contábeis e familiares, sempre respeitando as características de cada núcleo empresarial. “Não existe melhor ou pior estratégia sucessória, existe a mais adequada para cada caso”, afirmou. 

Durante a palestra, Macedo apresentou alternativas utilizadas na estruturação patrimonial, como holdings, previdência privada, fundos exclusivos, seguros de vida e instrumentos jurídicos voltados à sucessão. Também alertou para o avanço da arrecadação sobre transmissão de bens e para a necessidade de as famílias empresárias estruturarem mecanismos que reduzam conflitos futuros e garantam continuidade patrimonial entre gerações. 

Na abertura da RA, o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, afirmou que o debate sobre governança e sucessão está diretamente ligado à própria formação econômica da Serra Gaúcha, construída por empresas familiares que atravessaram décadas sustentadas por trabalho, organização e visão de longo prazo. Rezler também homenageou a trajetória da Livraria Rossi, destacando que alcançar um século de atividade empresarial no Brasil representa uma demonstração de resiliência, capacidade de adaptação e compromisso permanente com a comunidade.

Em sua manifestação, o presidente da entidade também criticou a decisão do governo federal de zerar a cobrança sobre importações de baixo valor, a chamada taxa das blusinhas, classificando a medida como prejudicial à competitividade das empresas brasileiras. Segundo Rezler, o País cria distorções ao aliviar a tributação sobre plataformas estrangeiras enquanto amplia custos para quem produz, investe e gera empregos no Brasil. O dirigente ainda manifestou preocupação com o ambiente político nacional, afirmando que a sucessão de denúncias, conflitos institucionais e interesses eleitorais fragiliza a confiança da sociedade nas instituições públicas, citando os recentes episódios envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro.

Fonte: Assessoria de Imprensa CIC Caxias, jornalista Marta Guerra Sfreddo (MTb6267)

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