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“Caldeira da Serra”: Susana Kakuta propõe modelo de território inovador para reposicionar Caxias e Região na nova economia
Publicado em 04/05/2026
A construção de um “Caldeira da Serra”, ambiente estruturado para impulsionar inovação, reter talentos e diversificar a economia, foi uma das principais propostas apresentadas pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos de Porto Alegre, Susana Kakuta, durante a RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), realizada nesta segunda-feira (4). Ao abordar o tema “Territórios inovadores: liderança que transforma realidades”, a gestora indicou que a Região reúne condições para organizar um ecossistema inspirado em experiências como o Instituto Caldeira, na capital gaúcha, com foco em desenvolvimento de longo prazo.
Segundo Susana, territórios inovadores exigem prioridade estratégica e coordenação entre setor público, iniciativa privada e universidades. “A primeira regra é parceria entre o público, o privado e a academia. São áreas onde se definem prioridades setoriais e se constrói desenvolvimento de longo prazo”, afirmou.
A secretária destacou que Caxias do Sul já parte de uma base econômica consolidada, especialmente na cadeia metalmecânica, mas também com tradição no setor vinícola e potencial no turismo. Para ela, o avanço passa por integrar novas tecnologias às vocações existentes e, ao mesmo tempo, criar novas frentes econômicas. “É trazer para mais perto a genética, a biotecnologia, a automação, a inteligência artificial, não só para os setores tradicionais, mas especialmente construindo o novo para Caxias”, disse.
Como exemplo prático, sugeriu a criação de roteiros tecnológicos aplicados a cadeias produtivas já estabelecidas, como a vitivinicultura. A proposta envolve oferecer experiências que evidenciem o uso de tecnologia em diferentes etapas da produção, da genética das uvas à aplicação de biotecnologia e ao desenvolvimento de novos produtos, como cosmecêuticos e nutracêuticos. “É um ativo que pode diferenciar Caxias, dentro de um desenvolvimento que é regional, mas construído a partir da identidade de cada cidade”, afirmou.
Na avaliação da secretária, o Diagnóstico RS 2025, que posiciona Caxias do Sul com “nota 7” na nova economia, reflete uma base econômica robusta e escala produtiva relevante, mas também mostra fragilidades em aspectos como retenção da classe criativa e conectividade. Já Bento Gonçalves aparece com desempenho ligeiramente superior (7.6), impulsionado por maior valor agregado e qualidade de vida, embora enfrente limitações estruturais associadas ao porte e à logística. “Bento vence em valor percebido. Caxias vence em escala bruta. O desafio de ambas é fundir essas virtudes”, sintetizou Susana.
A partir desse diagnóstico, a secretária destacou que o avanço passa por integrar capital humano, ambiente de negócios e acesso a mercado, reduzindo o descompasso entre formação e geração de novos empreendimentos. No caso de Caxias, o ponto crítico está na conversão de conhecimento em inovação aplicada. “Não adianta ter grandes universidades se isso não se transforma em empreendedorismo da inovação”, afirmou, ao defender maior capacidade de reter talentos e transformá-los em negócios que agreguem valor às cadeias já consolidadas.
A experiência de Porto Alegre foi citada como referência de transição econômica. A capital, historicamente industrial, passou por um processo de reconversão e hoje concentra cerca de 73% do Produto Interno Bruto no setor de serviços, com foco crescente em áreas como tecnologia da informação, saúde, automação e turismo especializado. “Estamos preparando Porto Alegre para ser uma cidade de serviços mais especializados, apoiada na nova economia”, explicou Susana.
Outro ponto abordado foi a infraestrutura logística, considerada essencial para sustentar a competitividade regional. Susana alertou para a necessidade de ampliar a conectividade, não apenas para passageiros, mas principalmente para carga. “Estou falando de conectividade para a indústria também, para que a produção possa sair com mais eficiência”, disse, ao mencionar a importância de soluções integradas que reduzam a dependência de longos trajetos rodoviários.
Com base na visão apresentada para 2035, Susana Kakuta defendeu que o desenvolvimento do Rio Grande do Sul, se executar a lição de casa estrutural, não construirá uma nova Porto Alegre, mas consolidará três cidades médias globais altamente especializadas: Caxias do Sul, que aparece como “Hub de Escala” e motor industrial-tecnológico de massa, Bento Gonçalves, que se posiciona como “Hub de Valor”, com foco em design, turismo e PIB per capita líder; e Passo Fundo, o “Hub de Estabilidade”, ancorado no agronegócio e na saúde avançada. “O futuro pertence às cidades com escala para inovar e agilidade para executar”, sintetizou ela.
Ao abrir o encontro, o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, situou o debate sobre inovação no contexto dos desafios econômicos e institucionais do País. “Caxias do Sul tem base produtiva, capital humano e capacidade de execução. O que precisamos é acelerar a conversão desse potencial em inovação, com coordenação entre os atores e regras claras que estimulem quem empreende”, afirmou.
Fonte: Assessoria de Imprensa CIC Caxias, jornalista Marta Guerra Sfreddo (MTb6267)