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23/05/2019 | RECURSOS HUMANOS

2º Fórum de Segurança e Saúde no Trabalho da CIC reúne mais de 200 pessoas para debater comportamento seguro

Evento contou com renomado time de especialistas e autoridades como palestrantes - Foto: Candice Giazzon/CIC
Evento contou com renomado time de especialistas e autoridades como palestrantes - Foto: Candice Giazzon/CIC

Quais os estágios do comportamento seguro? Por que certos riscos parecem piores que outros? A provocação foi feita pelo engenheiro de Segurança do Trabalho e diretor na Vendrame Consultoria em Segurança, Saúde e Meio Ambiente, Antonio Carlos Vendrame, na palestra de abertura do 2º Fórum de Segurança e Saúde no Trabalho, promovido pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) nessa quarta-feira (22), evento que debateu o tema durante todo o dia com um time de profissionais e autoridades da área. Cerca de 220 pessoas, de mais de 80 empresas diferentes, participaram do fórum.

A abordagem do especialista mostrou que a percepção de risco raramente é inteiramente racional. Em vez disso, as pessoas avaliam os riscos utilizando uma mistura de habilidades cognitivas, usando o raciocínio e a lógica, e apreciações emocionais, como intuição ou imaginação.

Vendrame explicou que ao perceber um risco, o trabalhador pode assumir duas posturas: um comportamento de proteção e, portanto, evita o risco por perceber que é uma ameaça, ou um comportamento de expor-se a ele, motivado pelo desafio ou alguma possibilidade de ganho. Para ele, a exposição ao risco pode estar ligada à personalidade de cada um. “Segurança absoluta não existe! Sempre há riscos a serem assumidos e gerenciados. Todo acidente inclui imprevisibilidade, mesmo com procedimentos bem elaborados, manutenção criteriosa, treinamento e experiência operacional. Ainda assim o erro humano se torna uma fonte de imprevisibilidade”, analisou Vendrame.

É preciso implementar uma mudança de cultura

Ficou claro na exposição do especialista que comportamento seguro é cultural e deve permear toda a empresa. “A mudança de cultura implica em mudança de hábitos, e toda mudança implica em sair da zona de conforto. Aqueles que resistirem muito tempo às mudanças devem ser transferidos para o concorrente”, sustentou. São portas para o acidente: pressa, improvisação, exceções, presunção e autoexclusão (“acidentes só acontecem com os outros”). O palestrante ainda recomendou que todos os eventos sejam comunicados e investigados. “O simples escorregão hoje pode ser o óbito de amanhã”, alertou.

Na sequência, o ergonomista, empresário e profissional da Educação Física André Cruz falou sobre riscos psicossociais e cognitivos como forma de compreender a prática da Ergonomia. Falou sobre organização laboral e patologias decorrentes do modo de trabalho, apresentou estudos a respeito da carga mental de trabalho e aspectos da saúde e qualidade de vida do trabalhador. “Os fatores psicossociais são as percepções subjetivas que o trabalhador tem dos fatores organizacionais. Logo, fatores organizacionais e psicossociais podem ser idênticos. Os fatores psicossociais veiculam um valor “emocional” no trabalhador”, observou Cruz.

Ergonomia em ambiente hospitalar e racionalização da periculosidade

O evento prosseguiu com um painel com três apresentações. A primeira, sobre o tema “Mudança orientada para o comportamento”, foi apresentado pela gerente de Gestão de Riscos e Sustentabilidade da DNV GL, Caroline Passuello. Após a fisioterapeuta do Trabalho e especialista em Ergonomia Carine Benedet apresentou o case do Hospital Virvi Ramos, de Caxias do Sul, de aplicação prática de aspectos ergonômicos em ambiente hospitalar. O painel foi encerrado com a participação do engenheiro de Segurança e diretor da Proalt, Amarilso Tomaz, sobre racionalização da periculosidade.

Para atingir o objetivo de racionalizar a periculosidade do ambiente de trabalho, Tomaz mencionou: busca incessante para eliminar o risco; delimitação física na área de armazenagem/quantidade; descrição de cargo bem detalhada; ordem de serviço com o respectivo treinamento; redução do número de pessoas nas áreas de risco ou atividade; gerenciamento dos produtos químicos inflamáveis; prontuário elétrico com as respectivas medidas de proteção coletiva; utilização da tecnologia para restringir acesso em áreas em condição de risco acentuado.

Estatísticas do Direito do Trabalho

A programação da tarde se iniciou com a palestra do juiz titular do Trabalho e gestor Regional Programa Trabalho Seguro (TST), Marcelo Silva Porto, sobre doenças ocupacionais e acidentes típicos, jurimetria (estatística aplicada ao Direito) da 6ª Vara do Trabalho de Caxias do Sul e as necessárias atitudes prevencionistas. O magistrado revelou números da atuação da 6ª Vara do Trabalho de Caxias do Sul, que foi criada em 2012: são realizadas 28 audiências por semana, 450 despachos/mês, 80 sentenças de mérito/mês, 20% Embargos Declaratórios e 10 Ações Civis Públicas (2012/2018). Atualmente conta com 10 servidores e dois juízes e é a primeira no interior do Brasil totalmente informatizada e especializada em acidentes do trabalho e doenças ocupacionais.

Marcelo Porto apresentou também os maiores índices de causas de doenças e lesões relacionada ao trabalho, que são ouvidos, coluna e ombros. Por segmento empresarial, os processos são em maior número nos setores metalmecânico, da alimentação e construção civil. O juiz ainda elencou uma série de atitudes que podem prevenir acidentes e mortes ocasionadas no ambiente de trabalho.

Nexo Técnico Epidemiológico

Em seguida, o ergonomista e médico do Trabalho Lourival Brito falou sobre o NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico), criado pela Lei Nº 11.430, de 2006, e que é a relação entre a doença e o trabalho. “O NTEP presume ocupacional o benefício por incapacidade requerido em que o CID (Código Internacional de Doenças) esteja na relação com o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) da empresa”, explicou o médico.

As atividades do fórum prosseguiram com a exposição do case da empresa Móveis Florense, de Flores da Cunha, sobre práticas e ações preventivas em relação ao NTEP. A assistente jurídica da empresa Rossela Abdala Soares falou sobre o sistema preventivo implantado na organização após entender como funcionada a aplicação do NTEP. “Embora pareça pouco retorno financeiro, com redução dos índices do FAP (Fator Acidentário de Prevenção), geradas pelo controle e contestações de aplicações indevidas do NTEP, o trabalho preventivo assegura de fato a saúde do trabalhador, elimina os riscos de ações regressivas pelo INSS, bem como as reclamatórias trabalhistas em relação a possível estabilidade e recolhimento de FGTS nesse período tido equivocadamente como afastamento “acidentário”, afirmou a advogada.

Ações regressivas acidentárias

A última palestra do dia ficou a cargo do responsável pela Procuradoria-Seccional Federal de Caxias do Sul, Artur Henrique Callegari, que falou sobre ações regressivas acidentárias. Segundo Callegari, trata-se de ação proposta pelo INSS a fim de obter o ressarcimento das despesas com acidentes decorrentes de negligência de alguém. Mostrou um caso prático, em que houve acidente com morte por negligência e destacou os fundamentos da norma. “Além de ser um meio processual que viabiliza ao INSS o ressarcimento dos gastos com as prestações sociais acidentárias, a ação regressiva é um relevante instrumento de concretização da política pública de prevenção de acidentes do trabalho”, argumentou o procurador federal. Ele ainda explanou sobre as condições em que existe a possibilidade de realização de acordos ou transações nas ações regressivas. Ao final, os palestrantes da tarde responderam às dúvidas da plateia em painel mediado pelo diretor Jurídico da CIC Maurício Gravina.

O 2º Fórum de Segurança e Saúde no Trabalho da CIC foi uma iniciativa das diretorias Jurídica, Recursos Humanos e Saúde. O evento contou com o patrocínio e apoio das seguintes marcas: Duap Sistemas, Libertas Comércio de EPIs, LL Consultoria, Mobilitare Clínica de Fisioterapia e Reabilitação Física, ACIPLAN Saúde, SSI Sistema Saúde Integral, Vivelle Móveis Planejados e Decorações, Padaria e Confeitaria Heisler, Cassio Mattos Consultoria de Recursos Humanos, Vendrame Segurança do Trabalho e Medicina Ocupacional.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC - Jornalista Marta Guerra Sfreddo (MTb6267)

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