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Ex-ministro do TST analisa relações de trabalho e sugere união da classe empresarial na defesa dos seus interesses
Publicado em 10/08/2015
O ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Gelson de Azevedo, palestrante da reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), nesta segunda-feira (10), afirmou que as relações de trabalho no País vivem uma crise que, segundo ele, não se assemelha a nenhuma outra em termos de gravidade. As disputas entre sindicatos profissionais e categorias econômicas se estabeleceram e ganharam amplitude, de acordo com o magistrado.
Para Azevedo, a conjuntura nacional contribui para o acirramento dos conflitos. O Brasil, analisou o ex-ministro, não está apenas diante de uma crise econômica e política, mas vivencia uma crise ética e moral de difícil solução em curto prazo de tempo. Ele criticou a incapacidade da classe empresarial de se unir na defesa de seus interesses, ao contrário do que fazem as categorias profissionais, e a falta de ousadia da advocacia ao atuar nos convênios coletivos de trabalho.
Diante deste cenário, explicou o ex-ministro, o trabalho de negociação se torna difícil. No entanto, o momento exige que se priorize o País e o coletivo. “Não é hora de salvar o meu setor, o meu negócio, o meu comércio. É preciso se distanciar da ‘Síndrome do Meu Navio’ e pensar em uma solução para o País que não seja apenas econômica, mas também ética. O problema agora é o Brasil. Se o Brasil afundar, todos os navios afundarão juntos”, argumentou Azevedo. Para o palestrante, além da união da classe empresarial, é preciso um novo sindicalismo, que acompanhe mais de perto os temas de natureza trabalhista, com visão mais ampla e mais ousadia do ponto de vista jurídico.
Com experiência de 32 anos como magistrado do trabalho, Gelson de Azevedo também argumentou a favor da flexibilização das normas trabalhistas na perspectiva que reconhece a autonomia da negociação coletiva sobre os temas de natureza patrimonial. Estes, de acordo com ele, poderiam ser flexibilizados em atendimento a circunstâncias próprias de cada empresa, assegurando-se o benefício do trabalhador e a preservação de direitos históricos conquistados.
Questionado sobre a atuação dos tribunais do trabalho, Azevedo ponderou que parte do problema está no sistema de formação dos magistrados e no aparelhamento ideológico. “São leis ambíguas aplicadas por pessoas que não têm interesse em resolver o problema”, afirmou.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC