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Ferrovia é apontada como solução para o desenvolvimento da Serra

Gerais

Publicado em 09/06/2010

Técnicos afirmaram, na CIC, que os investimentos no modal podem ser fundamentais para a competitividade das empresas da região
Técnicos afirmaram, na CIC, que os investimentos no modal podem ser fundamentais para a competitividade das empresas da região

A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) promoveu na segunda e terça-feira (7 e 8) um amplo debate sobre a retomada do transporte ferroviário na Serra Gaúcha. Técnicos e profissionais do ramo declararam no II Seminário de Transporte Ferroviário de Cargas que a região precisa de alternativas na logística de transporte para os três milhões de toneladas de cargas que são produzidas aqui a cada ano. Nesse sentido o transporte ferroviário de cargas, com destino aos portos de Estrela ou Rio Grande, seria uma opção que traria maior agilidade e menor custo, sem representar a extinção de modais como o rodoviário e hidroviário. Estudiosos definem que o ideal para a intermodalidade é que os caminhões percorram distâncias de até 400 quilômetros, com cargas pequenas; o trem, 1.500 quilômetros, com cargas médias; e os navios, 3 mil quilômetros, com cargas mais pesadas e em grande quantidade.

A abertura do Seminário ocorreu durante a reunião-almoço de segunda-feira e se estendeu à tarde com palestras do secretário municipal de Cultura, Antonio Feldmann, o coordenador dos Coredes da Região Funcional 3, José Antônio Adamoli, o secretário de Trânsito, Transporte e Mobilidade Urbana de Caxias do Sul, Jorge Dutra, o presidente da Associação das Endidades Representativas da Classe Empresarial da Serra Gaúcha (CICS Serra), Ademar Petry, e o presidente do Corede Serra, o reitor Isidoro Zorzi.

Feldmann fez um resgate histórico do trem na cidade. Já Adamoli, sinalizou o impasse entre a iniciativa privada e a esfera pública. "Temos um Estado frágil que fica à mercê do empreendedor. Esse empreendedor somente visa ao que é bom para ele, e ninguém está pensando no coletivo", observou. Dutra representou o prefeito José Ivo Sartori, que é presidente da Aglomeração Urbana do Nordeste (AUNe), e detalhou as ações da AUNe nos últimos anos pela reativação do modal ferroviário, desde o primeiro seminário, em agosto de 2008.

Em sua participação, Petry disse que a região, pela proximidade entre os municípios, é um grande polo econômico, onde residem 870 mil pessoas e onde é gerado um PIB da ordem de R$ 17 bilhões. Para o empresário, esse conglomerado precisa tanto de um trem de cargas como de passageiros. "Somando os deslocamentos entre as cidades da região, são transportados 180mil passageiros por mês", informou. Petry teve sua opinião endossada pelo reitor Isidoro Zorzi, que disse que a reativação da ferrovia é fundamental em uma visão estratégica, porém, ele crê que somente a volta do trem não vai bastar para resolver o problema do trânsito. "Os outros modais também precisam de investimentos. O conjunto de diferentes modais vai impulsionar nossa região", frisou.

Na manhã do segundo dia de evento palestraram o secretário do Planejamento e Gestão do Rio Grande do Sul, José Pezzi Parode, e o gerente de Relações Corporativas e Aduaneiras do RS da América Latina Logística (ALL), Miguel Evangelista Jorge. Parode apresentou o plano de recuperação econômica do Estado, demonstrando que com o equilíbrio das contas públicas é possível agora pensar em investimentos como aeroportos e transporte ferroviário. Questionado sobre o local do aeroporto internacional, o secretário explicou que o estudo está pronto na mesa da governadora e prometeu dizer a ela que as lideranças de Caxias do Sul desejam que a mesma anuncie o mais breve possível, e que decida pelo melhor local tecnicamente para a região.

Miguel Jorge ressaltou as vantagens do transporte ferroviário. De acordo com ele, o trem significa a redução do fluxo de cerca de 31 mil caminhões por dia, o que significa uma melhora no tráfego e na conservação das rodovias. Além disso, a empresa projeta que neste ano sejam gerados direta e indiretamente 40 mil empregos no setor e em 2011 o número aumente para 44 mil. "A ferrovia é a grande saída para o País, mas não aquela de 100 anos atrás. Precisamos pensar em um trem do futuro. Somos parceiros de Caxias, precisamos fazer com que o trem tenha sua utilidade e traga desenvolvimento. Cabe aqui um estudo de demanda para apontar a viabilidade dele", esclareceu.
Na tarde de terça-feira (8), os participantes do seminário ouviram o engenheiro de transportes e coordenador do Laboratório de Tecnologia de Transportes e Tráfego (Labtrans) da Universidade Federal de Santa Catarina, Rodolfo Nicolazzi Philipi, o diretor da Intelog Newslog e conselheiro do Grupo Temático de Logística do Conselho de Infraestrutura da Fiergs, Paulo Renato Menzel, o assessor técnico do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), Paschoal de Mário, e o gestor de negócio ferroviário da Randon S.A. Implementos e Participações, Fabiano Cornelli.

O engenheiro da Labtrans detalhou como é o processo de composição de um plano diretor ferroviário, que nada mais é do que o estudo que aponta dados geográficos, socioeconômicos, fluxos de transporte por modais e condições estruturais e funcionais de malha, onde se comprova a viabilidade de implantação do transporte ferroviário. O estudo projeta também a realidade para os próximos 30 anos e se fundamenta em duas avaliações principais: a social, que responde se o trem vai ou não ser útil para a sociedade, e a econômica, que esclarece se o investimento terá retorno à iniciativa privada ou pública. Conforme Philipi, o custo para operação inicial de ferrovia é elevado, se comparado ao investimento em rodovias. No entanto, a longo prazo o modal ferroviário é melhor.

O conselheiro da Fiergs comentou que a entidade está sintonizada com a mesma bandeira da CIC. "Há quem diga que o Brasil é rodoviarista. Nós não somos rodoviaristas, nós não temos estradas. Olhem para a situação das nossas estradas! O que falta é planejamento de longo prazo. É isso que vai trazer a indústria mais próxima do trilho", opinou Menzel.

Paschoal de Mário traçou o panorama ferroviário no Brasil. Segundo ele, o Plano Nacional de Logística e Transportes prevê aplicar R$ 148 bi para expansão da malha ferroviária de carga no País, atingindo 41 mil quilômetros de ferrovias em 2018 e 50 mil em 2025. A meta do governo federal é de que o transporte cresça de 25% para 35% em 2025. Finalizando as palestras do dia, o gestor de negócio ferroviário da Randon falou sobre a evolução do transporte ferroviário de cargas no Brasil, destacando que a empresa se soma às lideranças em prol da causa. Cornelli vê com bastante ansiedade e expectativa os investimentos do modal no País, tendo em vista que a mesma está entre as três empresas do Brasil a produzir vagões.

Ao final do seminário foi redigida uma carta com as deliberações que registram a intenção da região em reativar o transporte ferroviário de cargas ligando a Serra com o País. O documento será encaminhado às autoridades e órgãos competentes no assunto.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC

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