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Gilmar Marcílio fala sobre as pragas contemporâneas da sociedade na CIC
Publicado em 29/04/2010
Os participantes do Café com Informação, evento da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) realizado por meio do Conselho da Mulher Empresária e Executiva, desta quinta-feira (29), tiveram uma manhã mais reflexiva. O filósofo e escritor Gilmar Marcílio compartilhou suas impressões a respeito dos dilemas que envolvem os seres humanos na contemporaneidade, entre eles a incapacidade de suportar a dor, o culto do eu e o excesso de opções em todas as áreas.
Segundo Marcílio, a incapacidade de suportar a dor vem de encontro à compulsão pela felicidade. "Não conseguimos viver nesses estados de espírito oscilantes, que fazem parte da psique humana. Queremos ser felizes o tempo todo, mas vivemos em polaridades. Precisamos fazer um mergulho mais profundo no que nos incomoda ao invés de tentar fugir ou negar estes sentimentos. A dor coletiva parece que aplaca a nossa própria dor e serve como um alívio", definiu.
Para o escritor, o culto do eu demonstra que as pessoas esperam que tudo esteja conectado a elas. "Por isso o excesso de olhar sobre si mesmo, que inicia o processo de egoísmo. Estar na frente do espelho o tempo todo faz com que a gente deforme a própria imagem", alertou Marcílio. Ele complementa que o ser humano busca o conforto, a gratuidade e o caminho mais fácil nessa era onde tudo é descartado, inclusive as pessoas.
Em meio a tanta oferta, o escritor crê que é preciso entender a vida como um jogo de escolhas do cotidiano, onde é preciso se comprometer, palavra que está em desuso hoje em dia. "A questão da variedade é sedutora, mas não traz saciedade. Muitos acabam recorrendo para a pergunta ‘o que teria acontecido se...'. Quando na realidade não teria ocorrido nada diferente do que ocorreu", observou.
Voltando às questões do eu, Marcílio aponta que tudo é filtrado pelo olhar de cada um, inclusive a concepção da realidade, do local onde se vive e com quem se convive. "Estou comprometido com o que vejo, sinto e compreendo. Cada época tem seus queixumes e muitas vezes se deixa de perceber o que tem de bom. Estamos muito focados na crítica ao invés do elogio e somos incapazes de reconhecer em nós mesmo e no outro aquilo que é importante", esclareceu.
O escritor encerrou pedindo que as pessoas sejam um pouco mais generosas com suas percepções, e que a arte, em suas mais variadas formas, possa ser utilizada para expandir o ser.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC