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Para Affonso Romano de Sant'Anna políticas de leitura modificam comunidades
Publicado em 29/06/2009
Aplaudido de pé depois de recitar o poema Implosão da Mentira, de sua autoria, o escritor Affonso Romano de Sant'Anna cativou o público da reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) desta segunda-feira (29), ao falar sobre a leitura como instrumento de transformação pessoal e social. Ele citou vários exemplos de como uma política de leitura tem modificado comunidades no País. Segundo Sant'Anna, não há nenhum país desenvolvido que não tenha excelentes bibliotecas, universidades e um quadro de escritores e pensadores renomados.
Para o escritor, além de proporcionar prazer e informação, a leitura também é um elemento de enriquecimento psicológico e até mesmo econômico. "Há uma relação entre cultura e economia", observou Sant'Anna. Ele citou o fato de que hoje existem, além dos cerca de 12% de analfabetos no Brasil, o analfabetismo funcional, em que as pessoas, apesar de sua formação profissional, não conseguem interpretar ou interpretam equivocadamente o que leem. A leitura permite um arsenal retórico e de sensibilidade mais eficiente, argumento Affonso Romano de Sant'Anna.
O escritor, que criou o Sistema Nacional de Bibliotecas, relacionou vários casos de cidadão comuns que, em lugares incomuns, instalaram espaços de leitura acessíveis a qualquer pessoa. "Quando você lê um livro e gosta, quer que outra pessoa também leia. São pessoas que saem do seu nicho social e colocam o imaginário para trabalhar pelo outro", disse. Ao falar do Rio Grande do Sul, Sant'Anna elogiou os programas de leitura de Caxias do Sul e Morro Reuter e a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, mencionando que este evento, aliás, chega a ser mais importante que a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro.
Poeta, cronista, ensaísta, professor, administrador cultural e jornalista, Affonso Romano de Sant'Anna é um caso raro de artista e intelectual que une a palavra à ação. Com uma produção diversificada e consistente, pensa o Brasil e a cultura do seu tempo, e se destaca também como teórico e professor. Com mais de 40 livros publicados, foi professor em diversas universidades brasileiras - UFMG, PUC/RJ, URFJ, UFF - e no exterior lecionou nas universidades da California (UCLA), Koln (Alemanha), Aix-en-Provence. Seu talento foi confirmado pelo estímulo recebido de várias fundações internacionais como a Ford Foundation, Guggenheim, Gulbenkian e o DAAD -da Alemanha, que lhe concederam bolsas de estudo e pesquisa em diversos países.
Nascido em Belo Horizonte em 1937, desde os anos 60 teve participação ativa nos movimentos que transformaram a poesia brasileira, interagindo com os grupos de vanguarda e construindo sua própria linguagem e trajetória.
A reunião-almoço aconteceu em parceria com a Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Programa Permanente de Estímulo à Leitura (PPEL).
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC