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Presidente da SAE Brasil avalia mercado da indústria automobilística
Publicado em 08/06/2009
Mesmo com o fim da redução do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) a partir de 30 de junho, as vendas de veículos de passeio se manterão aquecidas no segundo semestre do ano, graças à retomada das linhas de crédito pelos agentes financeiros. Essa é a expectativa do vice-presidente executivo da Robert Bosch América Latina e presidente da SAE Brasil, Besaliel Botelho, que palestrou na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) nesta segunda-feira (8), durante as comemorações dos 14 anos da SAE Brasil - Seção Caxias do Sul, e quando falou sobre a crise e seus reflexos na indústria automobilística nacional.
Botelho acredita que o Brasil alcançará produção total de 2,8 milhões de unidades, das quais trezentas mil serão exportadas, bem abaixo das quinhentas mil inicialmente estimadas. Ele calcula vendas fortes em junho, algo natural diante do fim do benefício fiscal, e queda em julho em função da antecipação de compras. "As montadoras de veículos de passeio e comerciais leves já estão trabalhando em dois e até três turnos."
O executivo da Bosch, no entanto, demonstrou preocupação com a linha pesada, para a qual projeta produção total na casa de 120 mil unidades. "Este setor começa a dar sinais de recuperação, mas de forma muito suave e pequena. A principal dúvida é saber se esta retomada continuará no segundo semestre", declarou. Preocupação semelhante ele tem com o Mercosul, em função da crise que atinge a Argentina. Segundo ele, a estimativa para o país vizinho é de uma produção total de quatrocentas mil unidades. Na soma de Brasil e Argentina, a expectativa é de a produção atingir 3,2 milhões de veículos, 12% inferior ao ano de 2008. "Até abril, a produção nos dois países estava 18% abaixo do mesmo período do ano passado e as vendas em 4%, revelou. Botelho atribui este quadro à forte retração do comércio exterior, situação que não deve ser revertida no curto prazo.
Os números dos principais mercados mundiais confirmam a análise. De janeiro a maio, as vendas cederam 22% na Europa, 40% nos Estados Unidos e 10% no Japão na comparação com o mesmo período de 2008. No caso da Bosch mundial as vendas recuaram de 46 bilhões de euros de 2007 para 45 bilhões em 2008. Para 2009 a empresa não tem ainda índices fechados, mas a tendência é de novo declínio. "A recuperação da indústria automotiva brasileira e do Mercosul não virá de vendas externas. Cada vez mais será preciso buscar soluções internas."
O palestrante citou duas grandes possibilidades de crescimento para o setor no Brasil. Uma delas é a inspeção veicular, que começa a ganhar consistência por ações de alguns governos e que beneficiará fortemente a reposição. Outra é fortalecer mecanismos de renovação da frota de ônibus e caminhões, hoje sucateada. Além disso, Botelho destacou a relação de oito habitantes por veículo como outra oportunidade de incremento nas vendas. "O Brasil tem demanda reprimida de veículos e de infraestrutura, que precisa ser trabalhada."
Botelho não acredita que o Brasil possa reviver o subprime do segmento imobiliário dos Estados Unidos. Para ele, a inadimplência de 3,5% a 4% nos contratos automotivos não é algo preocupante. O problema, no seu entendimento, é a possível falta de emprego. Por isso destaca a importância da redução do IPI que, na sua avaliação, garantiu a manutenção de 100 mil empregos na indústria automotiva nestes seis meses de vigência.
De acordo com Botelho, o setor de autopeças vive um dilema em função do crescimento de 13% no déficit da balança comercial do setor. Para ele, é imperativo que a indústria de autopeças aumente a sua competitividade entre os BRICs por meio da eliminação de desperdícios e recomposição de custos. Ele defende a manutenção ou o aumento do conteúdo local dos veículos para preservar o mercado doméstico e a base industrial. Além deste quadro, Botelho observa que a crise ocorre num momento em que a inovação e os investimentos são fundamentais para a consolidação e conquista de mercados.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC