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Brasil não ficará imune à crise, afirma conselheiro da Fiergs

Gerais

Publicado em 07/10/2008

“O mundo não vai acabar, mas todo o mundo será afetado”. A afirmação é do coordenador do Grupo Temático de Negociações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Frederico Behrends, sobre a crise americana. Behrends foi o alestrante da reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), nesta segunda-feira (6).

Para o especialista em negociações internacionais, apesar de vivenciar diversas crises nos últimos 40 anos em que atua no comércio exterior, o Brasil não ficará imune à crise. Os financiamentos, segundo Behrends, ficarão mais caros: o Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC) passou de 4,5% para 14,5%. Ele acredita que a China poderá ser o grande diferencial neste cenário. A China detém US$1,4 trilhão de suas reservas com títulos do Tesouro americano e um superávit de sua balança comercial com os Estados Unidos de US$ 700 bilhões. “A China crescerá menos do que a média de 10% nos últimos 10 anos, mas continuará importando alimentos e matérias-primas, como o minério de ferro e soja, do Brasil”, disse o conselheiro da Fiergs.

Ao fazer uma atualização do processo de negociação dos acordos comerciais, Frederico Behrends citou a Rodada de Doha e os acordos Mercosul-Índia, Mercosul-Isarel, Mercosul e União Européia, Brasil-México, Mercosul- União Aduaneira da África Austral e Mercosul-Marrocos, Egito-Jordânia. Sobre Doha, o especialista afirmou que ainda há esperanças de retomada das negociações em 2009. As tentativas de acordo fracassaram no final de julho, principalmente porque China e Índia exigiram maiores salvaguardas na importação de alimentos, o que gerou impasse nas negociações.

Já as negociações do Acordo de Livre Comércio entre União Européia e Mercosul foram suspensas em 2004, influenciadas, entre outros fatores, pelas tratativas multilaterais da Organização Mundial do Comércio. “A retomada desses entendimentos poderá estar entre as prioridades do Mercosul e da União Européia em 2009, após o fracasso de Doha”, salientou Behrends.

Sobre o Acordo Brasil-México, existe a expectativa de que seja assinado por ocasião da visita do presidente Felipe Calderón em novembro. Recentemente, as negociações foram retomadas e os governos dos dois países estão analisando as sugestões dos setores industriais. Behrends assinala que o México desenvolveu uma ampla rede de acordos comerciais com mercados importantes. Ao todo são 27 acordos. No entanto, 80% do seu comércio são com os Estados Unidos.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC

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