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Sérgio Ruffini critica modelo de gestão na saúde

Gerais

Publicado em 18/06/2008

As características que diferem o setor de saúde de outras atividades econômicas foram detalhadas pelo presidente do Comitê Setorial da Saúde do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP), Sérgio Ruffini, na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) de segunda-feira (16), quando falou sobre os novos cenários para o segmento. A atividade, hoje, segundo o médico, é alicerçada no modelo assistencial (como se cuida das pessoas) e no modelo financiador (como se paga esta atividade).
Ruffini afirmou que o setor vive um momento de conflito, gerado pela inadequação entre os modelos de gestão adotados pelos agentes financiadores e pelos prestadores de serviços. Enquanto algumas organizações buscam resultados por meio da receita, em que o sistema de pagamento é pelo consumo e o modelo de assistência atua na doença, outras optam pelo custo, em que o sistema de pagamento é pela capitação e a atuação é na saúde. Para Ruffini, o modelo que trabalha com a receita baseada no consumo é contrário a qualquer outra atividade econômica, porque está fundamentado na máxima de que “quanto mais eu gastar, mais irei ganhar” e o controle de custos é entendido como uma restrição à qualidade da assistência. “É uma indução à gastança, não há sistema pagador que suporte esta fórmula”, criticou o médico.
Outro modelo que aos poucos chega ao mercado é o de capitação, em que há a formação de um capital, de um fundo em que existe a definição clara de receita e o universo de cobertura. Para Ruffini, não se trata apenas de um capital econômico, mas também de saúde, em que o foco é a eliminação de riscos e a diminuição da sinistralidade. As organizações que trabalham sob este modelo têm um enfoque nas pessoas, comparou.
Ele explica que hoje existe uma inadequação, porque a maioria dos agentes financiadores está migrando de um modelo para outro, enquanto os prestadores de serviços ainda estão trabalhando exclusivamente com o primeiro modelo. “Temos um jeito de pagar que é totalmente inadequado ao jeito de atender, ou vice-versa”, disse. Ruffini acredita que esta mudança no sistema de financiamento do setor não deve retroceder. “Da mesma maneira como o sistema financiador evoluiu, temos de garantir a evolução no modelo de atendimento, que não é mais cuidar do indivíduo doente, mas sim o da assistência à saúde”, assinalou.

CSS
Questionado sobre a recriação da CPMF, Sérgio Ruffini declarou-se totalmente contra a imposição tributária que, segundo ele, assalta os brasileiros. “A CSS é absolutamente desnecessária”, afirmou. Segundo ele, os recursos para a saúde já existem e são suficientes. Em sua opinião, a CSS está sendo usada como mecanismo de arrecadação do governo federal.

Acreditação
Durante a reunião-almoço, a Nefroclínica – Clínica de Doenças Renais o Certificado de “Serviço de Nefrologia Acreditado – Acreditação Plena - Nível 2”, concedido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). O certificado foi entregue à diretora-administrativa da clínica, Isabel Corso, por Sérgio Ruffini e pelo presidente da CIC, Milton Corlatti. Entre os 500 serviços de diálise existentes no país, a Nefroclínica é o primeiro acreditado do Rio Grande do Sul. No Brasil, existem outros três serviços de diálise nesta categoria de reconhecimento oficial.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC

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