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CIC e Sindicatos manifestam preocupação com mudanças nos contratos de energia
Publicado em 16/01/2008
A convite da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), o gerente do Departamento de Relacionamento com o Cliente da RGE, José Carlos Tadiello, participou de uma reunião nesta semana com lideranças da entidade e dos Sindicatos Patronais para explicar as mudanças nos contratos de venda de eletricidade a preços especiais para as indústrias no horário de ponta das 19 às 22 horas (horário de verão). De acordo com o presidente da CIC, Milton Corlatti, a informação de que as distribuidoras estariam aumentando o preço das tarifas preocupou a classe empresarial em razão dos impactos que esta medida poderia trazer para as indústrias locais.
De acordo com Tadiello a decisão, que diz respeito à sobra de energia que as distribuidoras estavam autorizadas a vender com preço diferenciado, por meio dos chamados contratos temporários interruptíveis, traz diferentes impactos, mas não afeta quem tem contratos regulados. Estas sobras de energia estão terminando, observou, motivo pelo qual os contratos estão sendo encerrados. Com isso, todos os clientes que contrataram esta energia deverão voltar a utilizar geradores a diesel ou retomar os contratos regulados.
A RGE já cancelou novas adesões em Caxias do Sul, mas o gerente garantiu que a companhia vai estender ao máximo possível a oferta de energia com desconto para as indústrias antes de suspender os contratos já assinados, ao contrário do que já fizeram as outras duas distribuidoras da CPFL Energia e que atendem consumidores do estado de São Paulo. "Não queremos marcar prazo, mas vamos prolongar ao máximo possível", acrescentou. Ele assegurou que todos os clientes da RGE serão avisados com bastante antecedência para que preparem seus equipamentos e voltem à condição anterior de geração de energia.
Já os contratos regulados não terão nenhuma alteração, "a não ser que o cliente queira alterar demanda ou prazos", afirmou. Tadiello explicou ainda que a RGE está em processo de revisão das tarifas, que vai culminar em abril com um novo patamar tarifário da companhia, podendo inclusive baixar o preço para clientes cativos. "A RGE tem energia contratada para os próximos cinco anos para atender a todo o mercado e também ao crescimento de demanda", argumentou.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs), Oscar de Azevedo, manifestou preocupação com os prazos para esta adaptação e disse que espera bom senso por parte da companhia para avisar com antecedência a suspensão dos contratos. Segundo ele, estas mudanças têm forte impacto nos custos e na produtividade das empresas. Azevedo criticou a falta de orientação por parte do governo federal para o cenário de crise no fornecimento de energia.
O presidente do Sindicato das Indústria de Material Plástico (Simplás), Orlando Marin, disse que o setor é o mais afetado pelo custo da energia elétrica. Em média, este custo corresponde de 4 a 6% no faturamento das empresas do segmento plástico. "Foi o setor mais atingido nos últimos cinco anos", revelou Marin.
O vice-presidente de Indústria da CIC, Carlos Heinen, disse que a crise de energia do país é grave. Segundo ele, as empresas precisam estar preparadas porque haverá problemas no fornecimento ainda em 2008 e o Rio Grande do Sul será afetado, como em 2001. O prejuízo, porém, segundo ele, não será com a falta de energia, mas com o seguro-apagão, pago durante dois anos pelo Sul do País. Heinen não acredita que o governo fará campanhas para promover economia de energia, tendo em vista os tributos que poderá perder com o racionamento.
Milton Corlatti propôs a formação de uma comissão formada pelo vice-presidente de Indústria da CIC, Carlos Heinen, presidentes de sindicatos e com a participação do gerente da RGE para tratar das questões que envolvem o abastecimento de energia na Região.
Também participaram da reunião os presidentes do Singraf, Adair Niquetti, do Sindrural, Djalmo da Veiga Oliveira, do Sindivest, Gilda Eluiza De Ross, do Sindercol, Gilmar Gomes, do Sindilojas, Ivanir Gasparin, do Sincoter, Jairo Dalfovo, do Sindiali, José Cesa Neto, da CDL, José Quadros dos Santos, do Sinduscon, Rafael Tregansin, do Sirecom, Maria Cecília Pozza, do SHBR, Nestor De Carli, do Sivecarga, Octavino Pivotto, do Sindimadeira, Serafim Quissini, a vice-presidente de Serviços da CIC, Fúlvia Stedile Angeli Gazola, e o diretor-executivo da CIC, Victor Hugo Gauer.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC