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Economia de Caxias do Sul cresce 3,5% em julho
Publicado em 09/09/2026
A economia de Caxias do Sul cresceu 3,5% em julho na comparação com junho, com resultado positivo nos três principais setores. O setor de serviços liderou o desempenho, com alta de 5,9%, seguido pela indústria, que avançou 2,9%, e pelo comércio, com crescimento de 1,3%. Os dados integram o relatório de Desempenho Econômico divulgado pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) e Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL Caxias) nesta quarta-feira (9).
Na comparação com julho de 2025, a atividade econômica do município apresentou crescimento de 3,3%. Novamente, os serviços tiveram o melhor resultado, com expansão de 10,8%, enquanto o comércio avançou 4,9%. A indústria seguiu na direção contrária, com retração de 1,5%.
O resultado, porém, revela comportamentos distintos entre os setores. Os serviços acumulam expansão de 9,5% no ano e comércio, de 5%, enquanto a indústria registra queda de 5%. No acumulado de 12 meses, a economia de Caxias do Sul ainda apresenta retração de 0,5%, influenciada principalmente pelo recuo de 7,6% da atividade industrial. O setor de serviços cresce 9,3% e comércio, 4,9% no período.
A atividade industrial cresceu 2,9% em julho frente a junho, com destaque para as compras industriais, que avançaram 10,4%. Na comparação com julho do ano passado, entretanto, o setor recuou 1,5%, resultado influenciado pelas quedas de 10,7% nas compras industriais e de 4,5% nas vendas industriais. Nos sete primeiros meses do ano, a indústria acumula retração de 5%, com redução de 20,1% nas compras.
Embora permaneça em terreno negativo no acumulado de 12 meses, com queda de 7,6%, o relatório aponta uma relativa estabilização da atividade industrial. Depois de uma trajetória de deterioração entre meados de 2025 e o início deste ano, a desaceleração perdeu intensidade. Juros elevados, incertezas econômicas e demanda enfraquecida, entretanto, continuam limitando investimentos, produção e uma recuperação mais consistente do setor.
Serviços mantém o desempenho mais consistente da economia local. Além da alta de 5,9% em julho, o segmento cresceu 10,8% frente ao mesmo mês de 2025 e acumula expansão de 9,5% no ano e 9,3% em 12 meses. Já o Comércio avançou 1,3% no mês, 4,9% na comparação anual e registra crescimento de 5% nos primeiros sete meses de 2026.
O mercado de trabalho também encerrou julho com resultado positivo. Caxias do Sul chegou a 172,7 mil empregos formais, o maior estoque registrado desde 2015. No mês, foram contabilizadas 8.728 admissões e 8.441 desligamentos, resultando na criação de 287 postos de trabalho.
A indústria respondeu pelo maior saldo, com 216 vagas, seguida por serviços, com 119. Em sentido contrário, a agropecuária eliminou 38 postos e o comércio fechou 16 vagas.
No mercado externo, Caxias do Sul exportou US$ 57 milhões e importou US$ 43 milhões em julho, alcançando superávit de US$ 15 milhões. As exportações recuaram 24,7% em relação a junho, enquanto as importações diminuíram 0,8%. No acumulado de 12 meses, os embarques ao exterior registram crescimento de 4,7% e as importações, queda de 9,7%. O saldo comercial acumula expansão de 35,9% no período.
Em 2026, a Argentina permanece como principal destino das exportações caxienses, enquanto a China responde pela maior parcela das importações. Os materiais de transporte representam 47% dos produtos exportados pelo município, e máquinas e aparelhos concentram 48% das compras realizadas no exterior.
Na avaliação do diretor de Economia da CIC Caxias Tarciano Mélo Cardoso, os indicadores mostram uma reação ainda tímida da economia, cercada por incertezas nos cenários doméstico e internacional. Embora a indústria tenha registrado dois meses consecutivos de crescimento, ele pondera que esse movimento pode ser pontual, influenciado por programas de incentivo e financiamento direcionados a segmentos ligados à matriz produtiva local. A preocupação permanece especialmente sobre as compras industriais, que acumulam queda expressiva e podem antecipar reflexos nas vendas, no emprego e, posteriormente, no comércio e nos serviços. Em contrapartida, Cardoso destaca a estabilidade dos serviços, com crescimento próximo de 10%, e a ampliação dos mercados de destino das exportações caxienses como sinais positivos.
Para o vice-presidente de Comércio da CIC Caxias, Marcos Rossi Victorazzi, as incertezas e a falta de confiança também pesam sobre a atividade econômica. Ele defende uma perspectiva de longo prazo para o País e um ambiente capaz de restabelecer a confiança, favorecer a redução dos juros e da inadimplência e estimular a retomada do consumo, criando condições para que “a roda possa girar de forma mais efetiva”.
Fonte: Assessoria de Imprensa CIC Caxias. jornalista Marta Guerra Sfreddo (MTb6267)