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Economia de Caxias do Sul cresce 11,8% em março, mas cenário segue pressionado por juros altos e desaceleração industrial
Publicado em 07/05/2026
A economia de Caxias do Sul registrou crescimento de 11,8% em março de 2026 na comparação com fevereiro, resultado impulsionado principalmente pela recuperação da indústria e pelo avanço do setor de serviços. A indústria cresceu 15,8% no período, enquanto os serviços avançaram 10,6% e o comércio teve alta de 1,2%.
Na comparação com março de 2025, descontados os efeitos sazonais, a atividade econômica do município apresentou crescimento de 4,8%. O desempenho foi puxado pelos serviços, com expansão de 16,2%, e pelo comércio, que avançou 4,9%. A indústria, por outro lado, registrou retração de 1,5% frente ao mesmo mês do ano anterior.
Apesar do resultado positivo em março, o vice-presidente de Comércio da CIC Caxias, Marcos Rossi Victorazzi, ponderou que o desempenho deve ser analisado dentro de um contexto mais amplo de desaceleração da economia. “É importante a gente olhar para o gráfico que mostra que a gente vinha numa curva de queda. Então não é que é um número positivo que ele diz que está tudo bem. Ele é um pouquinho menos ruim do que vimos nos últimos meses”, afirmou.
Victorazzi também alertou para os efeitos da inflação e dos juros elevados sobre a atividade econômica. “A inflação não está baixando, então o Banco Central vai segurar o juro ainda para controlar a inflação. Então isso, de certa forma, ainda desaquece a economia e mostra que a gente ainda vai ter um período turbulento pela frente. Não é um cenário que indica positividade, por mais que tenhamos um número bom aqui”, acrescentou.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a economia caxiense ainda registra leve retração de 0,1% em relação ao mesmo período do ano passado, pressionada principalmente pela queda de 7,2% da indústria. No mesmo intervalo, os serviços acumulam crescimento de 9,4% e o comércio de 5,3%.
No acumulado de 12 meses, o indicador geral da economia apresenta recuo de 0,8%. A retração industrial de 8,3% segue sendo o principal fator de pressão sobre o desempenho agregado do município, enquanto os serviços acumulam alta de 9,1% e o comércio, de 5,3%.
O coordenador da Diretoria de Economia da CIC Caxias, Tarciano Mélo Cardoso, afirmou que o cenário econômico atual é marcado por transformações estruturais e aumento das tensões geopolíticas. “A gente vem notando que o momento atual global é parte de uma transição estrutural, marcado por uma geopolítica dominante, inflação resistente e transformação empresarial acelerada”, avaliou.
Segundo ele, a elevação do preço do petróleo e os conflitos internacionais seguem pressionando custos de energia, logística e cadeias produtivas. “O principal vetor nesse cenário global é o conflito dos Estados Unidos com o Irã, que traz como consequência inflação, impacto em custos de energia e logística”, observou.
No cenário doméstico, Cardoso destacou a persistência da inflação e a revisão das expectativas para a taxa de juros. “Nós temos aí um IPCA chegando em 4,89, fora do teto da inflação, e uma Selic hoje em 14,5%, com expectativa de fechamento em 13% no final do ano. Antes trabalhávamos com expectativa de 12%, mas ela foi suprimida”, afirmou.
O coordenador também manifestou preocupação com pautas em discussão no Congresso Nacional, especialmente a proposta de alteração da escala 6x1. “O que temos hoje é a percepção de que essa medida tende a ampliar a pressão inflacionária no Brasil”, disse.
Para Caxias do Sul, Cardoso ressaltou que os desafios passam pelo aumento de custos, infraestrutura logística e competitividade. “A logística de Caxias é um grande desafio em relação do País e a mão de obra reflete o cenário nacional. Mas também temos oportunidades nesse caminho. Se bem trabalhadas, as substituições de importações e a regionalização de parcerias comerciais podem ser pontos fortes”, afirmou.
No mercado de trabalho formal, Caxias do Sul encerrou março com estoque de 173.464 empregos, o melhor nível desde 2015. O município registrou saldo negativo de 310 vagas no mês, resultado influenciado principalmente pela agropecuária, que perdeu 723 postos de trabalho em razão do encerramento de contratos temporários ligados à safra. Comércio e serviços lideraram a geração de vagas, com saldo positivo de 249 e 112 empregos, respectivamente.
No comércio exterior, as exportações cresceram 23,5% em março frente a fevereiro, enquanto as importações recuaram 0,5%. Com isso, a balança comercial apresentou melhora no período. No acumulado de 12 meses, as exportações avançam 11,3%, enquanto as importações registram queda de 9,9%.
Fonte: Assessoria de Imprensa CICCaxias, jornalista Marta Guerra Sfreddo (MTb6267)