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Recuperação da economia será lenta e dependerá de reformas estruturais
Publicado em 08/08/2016
Com previsão de crescimento do PIB de 0,5% em 2017 e 2% em 2018, a recuperação econômica será lenta, em função do crédito em contração e elevação do desemprego, e dependerá do avanço das reformas estruturais. Esta é a leitura que o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, faz do cenário futuro da economia brasileira. Kawall palestrou na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), nessa segunda-feira (8).
Ao falar de que é preciso encarar o cenário com otimismo cauteloso, o economista observou que apesar de uma crise muito grave, da forte queda do PIB em 2015 e em 2016 e alta taxa de desemprego, o que se observa hoje é o encaminhamento, por parte da nova equipe econômica, das soluções para os principais problemas do Brasil, em especial no que diz respeito ao descontrole dos gastos públicos e à previdência social. “Atacar o coração do problema poderá implicar na volta da confiança e na queda da taxa de juros, propiciando a retomada do crescimento econômico”, disse. O adiamento das reformas estruturais nos últimos 20 anos impactou no crescimento dos gastos públicos, destacou o economista.
Para Carlos Kawall, a cautela se justifica pelo fato de que essas reformas dependem de pré-condições ligadas à política e do que o Congresso decidir nos próximos meses. “Ou nós nos conformamos com seguidos aumentos da carga tributária ou estancamos os gastos públicos”, afirmou Kawall.
Essa é uma crise sem precedentes e a mais grave da história recente do Brasil, de acordo com o economista. O PIB trimestral está em retração nos últimos cinco trimestres e deverá permanecer assim no segundo (ainda não divulgado) e terceiro trimestre deste ano. “Estamos muito além da duração das crises econômicas que tivemos anteriormente. Sair dela não será fácil, vai exigir amadurecimento da sociedade, e o setor empresarial é indispensável para empurrar o Brasil na direção do que deve ser feito para se recuperar o crescimento econômico em bases sustentáveis”, acentuou.
Kawall também mostrou preocupação com a taxa de desemprego, já atingiu patamar de dois dígitos em 2016 e poderá chegar a 13% no próximo ano. Em 2015, houve redução líquida de 1,6 milhão de empregos formais. Até junho deste ano, o saldo é de menos 550 mil vagas. O comportamento do mercado de trabalho, segundo ele, é o primeiro indicador a exigir cautela quando se analisa a tendência de crescimento da economia.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC