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Em palestra na CIC, cientista política avalia efeitos dos protestos de junho de 2013

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Publicado em 31/07/2014

Ramone Mincato palestrou no Café com Informação de julho - Foto: Giovana Schmitt/CIC
Ramone Mincato palestrou no Café com Informação de julho - Foto: Giovana Schmitt/CIC

Doutora em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a professora da Universidade de Caxias do Sul Ramone Mincato acredita que os protestos de junho de 2013 foram fundamentais para fazer avançar a democracia no Brasil. Ramone tratou deste tema, avaliando os impactos conjunturais e estruturais das manifestações, ao palestrar no Café com Informação, realizado pelo Conselho da Empresária da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), nesta quinta-feira (31).

De acordo com a cientista política, entre os efeitos mais imediatos dos protestos estão a redução da tarifa de ônibus, a revogação da PEC 37, preocupação em destinar mais recursos para a educação e saúde e a retirada da reforma política da gaveta. No entanto, em sua opinião, houve um legado muito mais significativo ao País, como a percepção de que não há mudança sem luta, de que os protestos realmente funcionam e de que a sociedade não pactua com a ideia da política como profissão, exercida apenas para defender interesses privados, em detrimento do coletivo. Configurou-se uma cultura do protesto que é essencial para a mudança, segundo ela.

Ao defender que os movimentos sinalizam ainda uma ruptura do processo de dominação patrimonialista, a cientista política disse que ficou um alerta para a necessidade das organizações partidárias fazerem um balanço de suas práticas políticas. "Foi um movimento cívico, nacional, sem líderes e de repúdio à instrumentalização partidária", acrescentou. Ainda de acordo com a palestrante, "é importante constituir uma cultura cívica no País, sem a qual será impossível construir uma sociedade realmente democrática". Ela ainda criticou a conivência da sociedade com a corrupção e com o processo de dominação política. "A sociedade política é corrupta porque a sociedade civil é corrupta", ao se referir à cultura do "jeitinho brasileiro".

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC

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