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José Antônio Fernandes Martins aposta no crescimento futuro do Brasil
Publicado em 15/01/2014
Durante boa parte de sua palestra na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) nesta quarta-feira (15), o vice-presidente de Relações Institucionais da Marcopolo, José Antônio Fernandes Martins, traçou um ambiente político e empresarial com tendências pessimistas para o Brasil em 2014, principalmente em decorrência da perspectiva de inflação e juros em alta, gargalos na exportação, baixos investimentos em infraestrutura e o temor de rebaixamento pelas agências de Rating. Ao final, porém, a análise do empresário mudou de tom e Martins revelou-se bem mais otimista. "Previsões são difíceis de fazer, mas nossas expectativas para o desenvolvimento do País para 2014 e anos seguintes são animadoras e de crescimento moderado. O Brasil certamente irá crescer".
Martins, que além de vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiespe) e do Rio Grande do Sul (Fiergs) é diretor Institucional da CIC, acredita que se o governo se comprometer com reformas estruturais, como a tributária e a trabalhista e aumentar os investimentos em infraestrutura, as consequências serão positivas para a economia do País. O palestrante revelou um dado divulgado pela Consultoria Mckinsey, que calculou que o Brasil teria que investir R$ 240 bilhões ao ano - em 2012 este investimento foi de R$ 100 bilhões - e acumular R$ 5 trilhões em 20 anos para sanar as suas deficiências em infraestrutura e se igualar à média mundial. "A infraestrutura brasileira é irracional, burra e antiquada, o país está atravancado", comentou.
Em relação ao PIB, Martins afirmou que em 2014 o Brasil deve crescer menos do que a média mundial, por ser um ano de apertos e ajustes. Mas acredita que os leilões de infraestrutura e a retomada da confiança do empresariado acelerem a economia no futuro. Ele aposta num crescimento de 2% para este ano, com taxa de juros maiores, mercado de trabalho em desaceleração e tendência de alta na taxa de câmbio, que deverá ficar entre R$2,40 e R$2,60. Além disso, acrescentou, a inflação alta deverá ser um dos maiores desafios do governo nos próximos meses. Segundo ele, o PIB vai crescer pouco porque os investimentos não respondem adequadamente. As razões, de acordo com o empresário, estão, mais uma vez, na falta de infraestrutura, e na incerteza quanto à condução da política econômica.
Martins mostrou preocupação com o risco de rebaixamento das agências de Rating Standard & Poor's e Moddy's, que fizeram um downgrade na classificação do Brasil em função dos indicadores macroeconômicos, das incertezas e das dificuldades do governo em reduzir as suas despesas em ano eleitoral. O Brasil ainda está a dois níveis acima de perder a classificação de País com Grau de Investimento. "Se isso acontecer, será um verdadeiro tsunami na economia do País: a inflação dispara, juros duplicam, perda de credibilidade, câmbio vai para o espaço e o Brasil volta ao que era antes do Plano Real", enfatizou. Para evitar esta situação, Martins entende que o governo precisa demonstrar maior compromisso com o controle da dívida pública, gastar menos do que arrecada e corrigir a inflação.
Apesar do cenário de ameaças, o palestrante disse acreditar que o governo está consciente do perigo e que medidas de recuperação estão sendo tomadas, como as privatizações e programas de recuperação da infraestrutura, que já estão saindo do papel, e os apertos fiscais. "O País está enveredando para o caminho certo, porém, é preciso mais aceleração. Precisamos é acreditar em nosso País e afastar o pessimismo daqueles que parecem que, se o Brasil quebrar, serão muito felizes. A expectativa para 2015 e 2016 é de um crescimento fantástico, mas todos os empresários precisam acreditar nisso. Eu não sou um otimista eufórico, mas acredito no extraordinário potencial econômico do nosso País, O futuro irá confirmar", concluiu o palestrante.
Esta foi a primeira reunião-almoço do ano na CIC. O próximo evento está previsto para 19 de fevereiro, também uma quarta-feira. O calendário semanal às segundas-feiras será retomado no mês de março.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC