Notícias
Baixa qualidade da educação afeta competitividade das empresas, afirma especialista
Publicado em 30/09/2013
"O Brasil será uma verdadeira usina de empregos nos próximos 15 anos". A afirmação é do consultor em projetos educacionais e palestrante do Grupo Abril Educação Ricardo Orsini, que falou sobre "Educação e mercado de trabalho" na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) nesta segunda-feira (30), a convite da Rede de Ensino Caminho do Saber, que comemorou seus 25 anos durante o evento. No entanto, apesar das oportunidades, a baixa qualidade do sistema de ensino brasileiro está reduzindo a competitividade das empresas do País. "Vão faltar jovens preparados para tocar os projetos de suas empresas", alertou.
Ricardo Orsini traçou um panorama do cenário e dos desafios do mercado de trabalho nas próximas décadas, sugerindo que a iniciativa privada tome para si o papel de estimular o processo de educação e de empreendedorismo em todos os níveis. Além disso, segundo Orsini, nenhum projeto de educação será suficientemente competente para enfrentar os problemas do Brasil se não investir no professor e se não envolver a família. "A escola dita as normas, mas quem impõe os limites é a família, afirmou. Para o especialista, os investimentos em educação nos próximos seis anos deveria se concentrar nos níveis da Educação Infantil, Fundamental 1 e Fundamental 2. "Precisamos educar as crianças e não apenas prepará-las para o vestibular".
Em relação ao mercado de trabalho, Ricardo Orsini comentou que o que menos importa para a empresa é o selo do diploma da universidade em o jovem se formou. "Se ele se formou na melhor ou na ‘mais ou menos melhor' universidade, para um diretor de RH isso não pesa mais. Hoje o que pesa é um conjunto de habilidades que são desenvolvidas desde a Educação Infantil até o Ensino Médio". As habilidades que mais fazem falta nos jovens após receberem uma boa educação universitária, conforme elencou, são pensamento crítico, comunicação oral e escrita, habilidades pessoais como negociação e trabalhar de forma colaborativa, conhecimento de ciências, tecnologias, engenharia e matemática, liderança, domínio de idiomas, compreensão das consequências financeiras das decisões tomadas, resolução de problemas, análise estatística e competência tecnológica.
Segundo ele, as empresas estão contratando pela atitude, e a probabilidade de sucesso no mercado de trabalho se baseia em características pessoais como criatividade, espírito de liderança, iniciativa, visão interdisciplinar, capacidade de trabalhar em equipe, equilíbrio para lidar com as adversidades, integridade social, habilidade para expor ideias, simpatia, cortesia, atenção e sinceridade. Em sua opinião, o mercado de trabalho sinaliza 14 áreas com perspectivas para o futuro: engenharia genética, educação, ecologia e meio ambiente, tecnologia, relações internacionais e públicas, logística, e-marketing, marketing, telecomunicações, medicina, direito, segurança pessoal e corporativa, comércio exterior e hotelaria e turismo.
Orsini também criticou o desinteresse dos pais pelo processo de aprendizagem dos seus filhos. "Os pais não participam mais. É um problema cultural que precisamos resolver. Se hoje temos adulto com problema de comunicação oral e escrita, é porque o pai não olha a lição do filho. Bastam 20 minutos por dia. Não se trata de corrigir a lição, mas de ver se ela está apresentável, de olhar a agenda, visitar o site da escola", ponderou o palestrante.
Em relação ao ensino público, o palestrante afirmou que o problema não está na falta de dinheiro, mas na má gestão dos recursos, nos projetos mal elaborados e na corrupção. "O dinheiro vai para o ralo por aí, sustentou".
25 anos - Para homenagear a Rede de Ensino Caminho do Saber pelos seus 25 anos, o presidente da CIC, Carlos Heinen, fez a entrega de uma placa à diretora-presidente da instituição, Maristela Tomasi Chiappin.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC