Notícias
Especialista diz que Mercosul deveria ser transformado em Zona de Livre Comércio
Publicado em 16/09/2013
"O Brasil não tem um plano estratégico de longo prazo em termos de comércio internacional. O Brasil atua mais no lado do protecionismo do que no lado da competitividade." A opinião é do diretor de Participações e Inovação do Badesul Desenvolvimento, Luís Felipe Maldaner, que palestrou na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) nesta segunda-feira (16). Ao falar sobre o cenário atual dos acordos bilaterais de livre comércio, o palestrante afirmou que o Brasil deveria repensar o Mercosul, do qual representa 75%, alterando o regime de união aduaneira para Zona de Livre Comércio, o que desobrigaria os países membros do consenso nas negociações. Ele explicou que, como fundador e membro do bloco, o Brasil não pode assinar tratados de livre comércio isoladamente. "Entre quatro membros tão díspares entre si, é muito difícil chegar ao consenso", ponderou.
Para Maldaner, existe uma tendência global de crescimento dos acordos bilaterais. "No mundo, o aumento de acordos de livre comércio é cada vez maior, e nós estamos completamente fora. Os outros estão ganhando mercado, e nós, perdendo. É preciso mudar a estratégia brasileira rapidamente, sob pena de sofrermos um duro revés na venda de manufaturados no mercado externo nos próximos anos", disse o diretor do Badesul. Conforme analisou, o Brasil é membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) e sua estratégia, fora do Mercosul, é seguir o multilateralismo, ainda esperando o resultado da Rodada de Doha.
Mundialmente, 92% dos tratados são acordos de livre comércio. Para ilustrar este crescimento, Maldaner revelou que o Chile já possui acordos bilaterais com 62 países; o México, com 54; o Peru, com 40; a Colômbia, com mais de 30; e a Coreia do Sul, com mais de 20, incluindo a União Europeia. O Brasil, além do Mercosul, possui apenas acordo bilateral assinado com Israel. "A Coreia do Sul quer fazer acordo com o Brasil, mas não consegue por causa do Mercosul", alertou.
Responsável pela instalação do escritório do Banco do Brasil em Seul - Luís Felipe Maldaner foi funcionário da instituição por 36 anos -, ele comparou o desempenho do comércio exterior brasileiro com a Coreia do Sul e outros países e concluiu que o País está perdendo espaço principalmente na exportação de manufaturados. Em 2000, acrescentou, 60% das exportações brasileiras eram de produtos manufaturados. Em 2010, este índice caiu para 40%. Outro dado fornecido pelo palestrante revela que a importação de produtos de valor agregado chegou a 82% em 2012. E, segundo ele, não são apenas bens de capital, mas muitos produtos de consumo que deveriam estar sendo fabricados aqui. "A exportação de manufaturados é fundamental para a riqueza das nações, e um exemplo disso é a Coreia do Sul", sustentou.
A reunião-almoço foi alusiva à Semana Farroupilha. Para marcar a data, o evento contou com a apresentação da Banda Marcial do 3º Grupo de Artilharia Antiaérea (GAAAe), que executou os hinos Nacional e Rio-grandense, e do cantor e compositor nativista Xiruzinho.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC