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Economista analisa cenários e projeta desempenho mundial e nacional
Publicado em 01/04/2013
Doutor em Economia, Igor Morais traçou um panorama dos cenários internacional e nacional para 2013 em reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) desta segunda-feira (1º). Segundo ele, é possível identificar a heterogeneidade do crescimento entre os países desenvolvidos, em especial na Europa, que ainda sente os efeitos da crise de 2007, e os emergentes, com perspectiva de melhor desempenho.
Ao iniciar sua análise pela economia americana, Morais disse que os sinais de que a crise nos Estados Unidos está se encerrando são evidentes. A redução no endividamento imobiliário das famílias, aumento da produção, aumento da venda de bens duráveis, crescimento da atividade de serviços e diminuição da taxa de desemprego mostram que a recuperação americana está em curso. O maior problema que os Estados Unidos têm de enfrentar no momento, de acordo com o economista, são os 12 milhões de pessoas ainda desempregadas.
Na Europa, além da taxa de desemprego, sendo que na Itália, França e Espanha este índice já é de dois dígitos, totalizando 19 milhões de pessoas, sete milhões a mais do que em setembro de 2008, o baixo crescimento do PIB é outro fator preocupante. "A desaceleração econômica na Zona do Euro refletiu um cenário adverso para os principais países", ressaltou Morais. O especialista ainda explicou as causas do temor em torno da economia de Chipre. Segundo ele, os bancos de Chipre investiram pesado em títulos da Grécia. Esta, por sua vez, reestruturou a sua dívida a partir do corte no valor dos títulos, causando forte impacto em Chipre, que teve de pedir ajuda financeira internacional, atraindo as atenções do mundo inteiro. "Tudo isso deixou o mercado muito nervoso e gerou um estrago de confiança", comparou.
Ao analisar o cenário nacional, Igor Morais afirmou que após a forte desaceleração de 2012, as perspectivas para 2013 são de retomada da atividade produtiva, "menos do que se gostaria, mas em linha com nossa média histórica". Nesse cenário o maior desafio para este ano é o enfrentamento das pressões de preços que se materializaram nos últimos meses e ainda persistem em vários segmentos da economia. "Atualmente, quase dois terços dos produtos que compõem o IPCA sofrem alta de preços", revela. Morais projeta que o País chegará a dezembro com uma inflação de 6,5%. Ainda segundo ele, não fosse a ação do governo de intervir no preço da energia, a inflação em fevereiro teria sido bem maior.
Em relação ao PIB, o economista acredita que o ano de 2013 deve terminar com uma expansão de 3,14%. Já num cenário mais conservador, a alta do PIB não deve passar de 2,7%.
Igor Morais é sócio da Vokin Investimentos e diretor de Estudos e Pesquisa Econômica do Instituto Latino Americano de Desenvolvimento Econômico Sustentável (Ilades). Foi economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) de 2003 a 2011.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC - Jornalista Marta Sfreddo