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"Substituímos Deus por Prozac e Prozac pelos shoppings centers", afirma Gilmar Marcílio na CIC

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Publicado em 27/08/2012

Em palestra na reunião-almoço, patrono da 28ª Feira do Livro de Caxias do Sul falou sobre alimentos e venenos da sociedade contemporânea
Em palestra na reunião-almoço, patrono da 28ª Feira do Livro de Caxias do Sul falou sobre alimentos e venenos da sociedade contemporânea

O patrono da 28ª Feira do Livro de Caxias do Sul, Gilmar Marcílio, fez reflexões sobre alimentos e venenos da sociedade contemporânea em palestra na reunião-almoço desta segunda-feira (27) na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). Entre os venenos citados pelo filósofo e escritor está o excesso de informação, que está sobrecarregando o ser humano; o desejo, que se tornou uma bolsa de valores de produtos e corpos; a banalização das palavras curtir, compartilhar e amigos; a substituição do real pelo virtual; a intolerância à dor; a valorização do belo e do novo; e o excesso de rapidez e desatenção no cotidiano especialmente nas atividades básicas como comer, beber, andar. "Substituímos Deus por Prozac e Prozac pelos shoppings centers", salientou.

O filósofo defendeu que o ser humano deveria voltar a ser mais lírico e mais poético e perder o prazer de empilhar escrituras (acumular bens materiais), afinal, para ele, a finitude da vida é a única coisa concreta que se sabe da vida. Por isso, ele sustenta que é preciso acolher os seres enquanto estiverem vivos.

"Viver é tocar e ser tocado, não só pela ponta dos dedos", definiu. Para Marcílio, a cultura (literatura, cinema, artes, entre outros) e a natureza são alimentos afetivos. Mas o maior deles, em sua opinião, é o carinho, resultado da convivência diária entre as pessoas. "Dificilmente depois de um abraço a gente sai para as compras", observou.

O patrono da 28ª Feira do Livro de Caxias do Sul, a partir do pensamento de filósofos, propôs algumas mudanças de comportamento. Ele sugeriu: sair do imediato (em perspectiva as coisas perdem importância); questionar tudo (verdadeiras escolhas passam pelo crivo pessoal); manter um compartilhamento fechado dentro de si (espaço de solidão para conviver consigo mesmo); despertar do hábito (ficar menos preso à rotina); filosofar por acaso; abrir mão do controle (amar o que se tem); ser comum e imperfeito (não há lugar no pódio para todos); aceitar que a vida é inconstante (ora doce, ora salgada); encarar a velhice como algo bom.

Marcílio compartilhou sua receita de vida: "cortar, simplificar, reduzir e descartar o supérfluo". Ele disse ainda não entender o porquê de as pessoas reclamarem da falta de tempo se o número de horas e de dias é o mesmo ao longo de toda a história da humanidade.

Ao concluir sua palestra o filósofo declarou: "que a gente tenha tempo para as flores de laranjeira, elas podem ser sim um bom negócio para a alma". Marcílio arrancou lágrimas e demorados aplausos de pé dos participantes do evento.

Durante a reunião-almoço da CIC ocorreu a entrega do Troféu Empresa Amiga da Cultura, uma promoção da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul, por meio de sua Secretaria de Cultura. As 39 empresas agraciadas foram: Unimed; Visate; Brasdiesel; N&L Informática; Grafilme Editora e Gráfica; Randon S/A Implementos e Participações; Serviços de Guincho Vanin; Randon Administradora de Consórcios; Faculdade da Serra Gaúcha; Adere; Sul Peças e Veículos; Super Pneus; Servibrás; Banco do Brasil; Imobiliária Bassanesi; Intral; San Marino; Marcopolo; Fras-le; Jost Brasil; Castertech; Master Sistemas Automotivos; Suspensys; Politrans; Servicarga; Plásticos Carajas; Agrale; Metadados; Pró Salute; BL Serviços de Cobrança; Moinhos Galópolis; Cooperativa Têxtil Galópolis; Sul Visual; Iguatemi Caxias; Luna ALG; Dicriare; Venetosul Transportes; Agritech; e MATV Sat Comunicação.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC - Jornalista Greice Tedesco

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