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Desafios do jornalismo econômico: do foco do diagnóstico ao que está por acontecer
Publicado em 16/05/2012
É na coleta e no tratamento da informação que se encontram os principais desafios do jornalismo econômico, independentemente da plataforma. Este foi o enfoque da palestra do diretor de Redação da Revista Amanhã, Eugênio Esber, na abertura do Diálogos da Comunicação, na noite desta terça-feira (15). O evento, em seu terceiro ano, é promovido pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), em parceria com a Associação Riograndense de Imprensa-Seccional Serra Gaúcha (ARI Serra Gaúcha).
Para Esber, o primeiro grande desafio dos jornalistas de economia, que tendem a colocar foco no diagnóstico, é passar a olhar para frente, e não mais para trás. "O foco deve ser o que está por acontecer", frisou o jornalista. O segundo desafio é não se contentar em apenas relatar os fatos, mas apresentar o significado deles e ir além da ‘commodity' da informação, agregando valor ao dado e à análise.
Eugênio Esber disse ainda que os jornalistas se deparam com estatísticas precárias no Brasil, o que impede um retrato mais fiel da realidade, além de muitas pautas e escassez de fontes, o que contribui, em sua opinião, para a publicação de matérias sem profundidade. "Quando há muitas pautas e um só repórter para apurá-las em tempo exíguo, ele vai fazer a opção pela matéria com uma só fonte. Temos jornais com muitas matérias superficialmente apuradas. É o paradigma da quantidade", afirmou.
Segundo o palestrante, não são apenas os profissionais de jornalismo econômico que têm desafios, os veículos de comunicação também. O maior deles é treinar repórteres e editores para que dominem os fundamentos da economia necessários para a compreensão dos fatos antes de apresentá-los. Existem repórteres que têm dificuldades com estes fundamentos a ponto de confundir lucro com rentabilidade ou com faturamento, exemplificou.
Também é importante treinar estes profissionais para que consigam fazer perguntas pertinentes e não apenas reproduzir o pensamento do entrevistado. Na busca pelo fio condutor do texto, não é raro que os profissionais de imprensa optem pela literalidade e pelo pensamento da fonte que apresentá-lo de maneira mais estruturada. "É importante que os veículos preparem os profissionais para tornar os termos do jornalismo econômico mais assimiláveis", afirmou Esber. Ele acredita ainda que este treinamento também é necessário para que o profissional transite entre os grupos de pressão sem se colocar a reboque dos lobbies.
O diretor da Amanhã encerrou sua palestra falando dos grandes temas que estão diante do jornalismo econômico e sobre os quais os jornalistas deverão se debruçar num horizonte muito próximo: euro, dólar ou uma terceira moeda; a corrida para a África; novas fontes de financiamento de longo prazo no Brasil e pacto federativo. "Quebraram-se as bússolas construídas no passado, o exercício de fazer projeções econômicas está cada vez mais difícil", concluiu Eugênio Esber.
A próxima palestra do Diálogos da Comunicação está agendada para o dia 22 de maio (terça-feira), as 19h, no miniauditório da CIC, com o correspondente do jornal Valor Econômico, Sérgio Bueno, que falará sobre o tema "O desafio da precisão e da profundidade no jornalismo econômico em alta velocidade". Informações e inscrições com a Assessoria de Comunicação e Marketing da CIC, pelos telefones (54) 3218-8042 / 3218-8061.
O evento tem patrocínio da Faculdade América Latina e apoio da Ditta Comunicação.
Fonte: Assessoria de Imprensa - Jornalista Marta Sfreddo