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Manutenção da igualdade é o grande desafio da democracia brasileira
Publicado em 12/03/2012
Ao se debruçar sobre o futebol, o Carnaval e o jogo do bicho como pano de fundo para explicar o comportamento cultural do brasileiro, o antropólogo Roberto DaMatta falou dos desafios da recente democracia no Brasil e de como os ideais de igualdade foram assimilados pelo sistema político e social vigente. DaMatta foi o palestrante da reunião-almoço desta segunda-feira (12), da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). O desafio, segundo o antropólogo, é evoluir para o capitalismo com a manutenção da igualdade, liberdade e democracia.
O antropólogo fez um paralelo com o esporte para afirmar que a igualdade de todos perante as regras do jogo é essencial, e que na democracia não é diferente. "As regras são fundamentais porque são a base desse igualitarismo quando uma partida é iniciada, ou quando uma empresa nova entra no mercado para competir com outras mais antigas. A igualdade exige que os jogadores limitem essa disputa. Há um ponto mínimo e outro máximo, e essa limitação é um importante desafio. Eu tenho um adversário, mas ele não é meu inimigo. Seu competidor não pode ser liquidado, pois é ele que legitima a sua qualidade, que valoriza o que você faz; matar o adversário é optar pelo totalitarismo", afirmou.
Professor de Antropologia da PUC do Rio de Janeiro, Roberto DaMatta também fez duras críticas ao gerenciamento do Brasil pelos administradores públicos, denominação que prefere em lugar da palavra ‘políticos', e disse que o custo Brasil é justamente a inconsistência de regras em um governo que deveria ser mais vigilante em relação a elas. "O custo Brasil é uma estrutura legal e burocrática que foi criada em cima de um sistema hierárquico e monárquico e que, portanto, não sabe o que é igualdade", frisou.
DaMatta, que tem vários estudos sobre os costumes e valores da sociedade brasileira, observou que os administradores públicos deveriam ser como os empresários. Eles também têm regras universais, porém não as cumprem porque o público não é de ninguém. Para o antropólogo, a história do Brasil, com o regime de escravidão, gerou uma sociedade preconceituosa que se infiltrou no sistema político do País. "É a esfera que mais depende de simpatias pessoais, que convive com uma ordem jurídica atrasada e que, em questões de ética, hesita em aplicar novas leis", criticou.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC