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Economistas divergem sobre futuro da economia brasileira

Gerais

Publicado em 28/09/2011

Em fórum na CIC, especialistas avaliam que crescimento do País depende de reformas estruturais e, sobretudo, de políticas públicas.
Em fórum na CIC, especialistas avaliam que crescimento do País depende de reformas estruturais e, sobretudo, de políticas públicas.

Nesta terça-feira a economia nacional e global esteve na pauta em evento realizado na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). O CIC Debate - Fórum de Economia, uma promoção da diretoria de Economia, Finanças e Estatística da entidade, reuniu especialistas locais, que debateram os rumos da economia nacional e os reflexos da crise dos Estados Unidos e Europa.

O sócio da Pricewaterhousecoopers (PWC) Fábio Abreu, painelista do evento, foi otimista na avaliação da situação econômica do Brasil. Segundo ele, pesquisas apontam que 86% dos líderes brasileiros acreditam no potencial de crescimento do País, 94% das empresas pretendem manter ou aumentar seu quadro de pessoal e 84% quer reter talentos. Mas a confiança do economista se sustenta fundamentalmente no estudo da PWC que aponta que em 2050 o Brasil será a 4ª economia do mundo. Abreu ressaltou que para que a projeção aconteça é necessário superar os principais desafios internos - desigualdade social, sistema educacional, decisões jurídicas lentas, burocracia, altas taxas de juros, alta carga tributária e problemas de infraestrutura.

A doutora em economia e professora da Universidade de Caxias do Sul Maria Carolina Gullo, também palestrante do fórum, apresentou a realidade da economia de Caxias do Sul. Ela crê que a crise externa não tenha tanta força na economia local, porque esta depende muito mais do mercado interno. A economista demonstrou como é alto o custo de vida em Caxias do Sul, a exemplo do índice de inflação da cidade, que no mês de agosto foi de 7,9% (quando a meta nacional do Banco Central é de 4,5), e do preço da cesta básica que está em R$ 547,00. "É preciso mais de um salário mínimo para garantir a sobrevivência de uma família em Caxias. O custo da nossa cesta básica vem subindo, enquanto o de Porto Alegre vem caindo", observou. Em contrapartida, a economista informou também que o mercado de trabalho local cresce acima da média do Estado e País, e a renda média mensal fica entre dois e quatros salários mínimos. Além disso, ela citou que o grau de escolaridade dos trabalhadores tem aumentado.

O último painelista do evento foi o diretor do Banco Randon, Joarez Piccinini, que falou sobre a situação econômica e financeira internacional dos Estados Unidos e países da Europa. O especialista em instituições financeiras destacou que o Brasil possui um sistema financeiro mais regulado do que em 2008 e 2009 (período de crise), mas, ao mesmo tempo, observa com preocupação a crise internacional. "A crise lá fora é muito séria e tem efeito no Brasil sim. A economia vem se enfraquecendo, a julgar pelo índice de crescimento baixo deste ano. O pior cenário seria a estagnação geral dos países europeus. Se a Grécia quebrasse outros países estariam condenados e haveria uma ruptura da atual estrutura econômica mundial", alertou.

Após as exposições, os economistas e diretores de Economia, Finanças e Estatística da CIC Mauro Corsetti e Alexander de Messias e o ex-executivo da Marcopolo João Borsoi se juntaram aos painelistas para promover um debate e avaliar os rumos da economia mundial.
Mais esperançosa, Maria Carolina torce para que a sociedade brasileira consiga assumir seu papel e cobrar das lideranças políticas as reformas política, tributária e educacional, que para ela são determinantes para que o País dê um salto de desenvolvimento sustentável.

Messias discordou das previsões favoráveis para o Brasil. Ele não acredita que os políticos farão os investimentos necessários, principalmente no que diz respeito à desoneração de tributos, e teme que o País esteja perdendo tempo, como na década de 80, com a inércia da gestão pública, que na sua concepção é ineficiente e serve a interesses próprios.

Corsetti, responsável pela mediação do debate, fez o encerramento do fórum e afirmou que a economia internacional vive um momento de quebra de paradigmas com potências como os Estados Unidos ameaçadas. "É preciso saber aonde o Brasil quer chegar. Estamos preocupados que a China vai parar de comprar do Brasil. Precisamos ser competitivos em segmentos diversificados. Essa estratégia passa pela educação, inovação, tecnologia e por uma reforma estrutural", definiu.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC

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