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Pós-doutor propõe reflexão sobre o papel das universidades em reunião-almoço da CIC
Publicado em 15/08/2011
Se depender da opinião do pós-doutor e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Jairton Dupont, a extensão da Ufrgs na Serra Gaúcha não vai concorrer com outras instituições de ensino superior existentes na região. Considerando exemplos no País que se revelaram negativos com o passar dos anos, Dupont acredita que o ensino público gratuito deve atuar de forma estratégica para promover a formação de mestre e doutores e, consequentemente, desenvolver ciência e tecnologia, que é justamente o que eleva um país da categoria de subdesenvolvido para desenvolvido. O palestrante da reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), realizada nesta segunda-feira (15), discursou sobre o papel das universidades no mundo do conhecimento.
Ele definiu ainda que a discussão do papel da Ufrgs deve ser feita com a sociedade e, principalmente, com as instituições de ensino superior estabelecidas, que conhecem a demanda e as ofertas locais. "A extensão é benéfica se for feita de forma associada, para oferecer cursos de graduação que não existem e que são fundamentais para suprir as demandas de mão de obra das empresas. Mas a Ufrgs fará a diferença na formação de mestres e doutores. Do contrário, corremos o risco de nos arrepender mais tarde", concluiu.
O pós-doutor reforçou os desafios do País que não consegue transformar pesquisa em inovação. "Não temos densidade de gente qualificada", observou. Os números apresentados por ele confirmam sua constatação. O Brasil possui apenas 85 mil doutores, cerca de 12 mil novos por ano, sendo que apenas 20% são oriundos das áreas de engenharia e ciência. Em comparação, a Coreia do Sul forma 20 mil doutores a cada ano.
Dupont acrescenta que dos 307 mil professores de ensino superior no País, somente 36% são mestres e 27% são doutores. Prova de que nem os professores estão qualificados a universalizar o conhecimento. O Brasil representa quase 3% das publicações científicas do mundo. Houve considerável avanço, porém, se quiser se igualar ao Canadá, por exemplo, precisará triplicar essa produção.
Outro índice apresentado por ele é de que 60% das matrículas acadêmicas correspondem a profissões como Administração, Pedagogia, Direito e Engenharia. "O governo tem que fazer o gerenciamento do ensino público para investir nas formações que o mercado precisa, para que a universidade seja o laboratório, onde o indivíduo consiga pensar e fazer projetos, baseados no mundo real, que é o mercado de trabalho", acrescentou.
Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC