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Ineficiência da gestão pública nacional ameaça competitividade da indústria têxtil e de vestuário

Gerais

Publicado em 27/06/2011

Em palestra na CIC, diretor-superintendente da Abit enfatizou que concorrência desleal das importações asiáticas coloca em risco 30 mil empresas
Em palestra na CIC, diretor-superintendente da Abit enfatizou que concorrência desleal das importações asiáticas coloca em risco 30 mil empresas

Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) estima que, no ano de 2011, 200 mil postos de trabalho deixarão de ser gerados no Brasil em função do déficit de 5% da balança comercial do setor. Segundo o diretor-superintendente da entidade, Fernando Valente Pimentel, estes empregos perdidos no País serão gerados na Ásia. Pimentel apresentou o cenário da indústria têxtil e de confecção do Brasil na reunião-almoço desta segunda-feira (27) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). De acordo com ele, a carga tributária (40,3% do preço dos produtos industriais), a deficiência na defesa comercial, o custo de capital elevado (as empresas pagam os tributos antes de receberem as vendas, exigindo capital de giro), o custo da infraestrutura, o crescimento das importações e o desequilíbrio cambial são limitadores da competitividade nacional.

Pimentel comentou que muitos empresários começam a se questionar se vale a pena continuar no segmento em função do processo de desindustrialização que já está instalado no Brasil. "A importação de vestuário, que mata toda a cadeia produtiva do setor têxtil e de confecção, aumentou 16 vezes em menos de uma década. Entre os países de origem das importações brasileiras, a China lidera, seguida pela Índia. O governo federal nos deixa capengas para lutar contra tubarões nesta concorrência exterior desleal e desequilibrada, quando não contrabandeada", definiu.

O diretor-superintendente da Abit explicou que para frear este processo de desestabilização do setor e dar um salto de progresso e desenvolvimento, a Frente Parlamentar Mista José Alencar, que conta com 260 parlamentares de todos os estados da federação, propõe duas ações imediatas: criação de modelo tributário, trabalhista e previdenciário que desonere e permita às empresas confeccionistas (intensivas em mão de obra) crescerem e Simples (optativo), por 20 anos, independentemente do tamanho do faturamento. "O Brasil está cheio de diagnósticos. Não dá mais para ficar esperando. O governo diz que entende, mas entender e agir são coisas diferentes", ressaltou. Pimentel finalizou dizendo que se não houver sensibilização do governo federal quanto às reivindicações da Frente Parlamentar, o setor está pronto para manifestações nas ruas.

Sobre o setor têxtil e de confecção

Conforme dados da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção, estima-se que, nos próximos cinco anos, o comércio têxtil e de confecção no mundo alcance a cifra de US$ 856 bilhões. O Brasil participa com 0,6% deste valor. As 30 mil empresas em atividade no País são responsáveis por um faturamento anual de R$ 90 bilhões, o que representa 3,5% do PIB brasileiro. Quanto às características da mão de obra, a indústria têxtil e de confecção gera oito milhões de empregos diretos e indiretos, oportuniza o primeiro emprego, é a principal contratante de mulheres "chefes de família" e absorve todos os níveis da pirâmide social e educacional.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC

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