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Bullying: sintoma de um contexto social em que predomina o "culto do direito"

Gerais

Publicado em 25/05/2011

Tema foi debatido no Café com Informação da CIC pela psicóloga Margareth Kuhn Martta - Foto: Divulgação CIC
Tema foi debatido no Café com Informação da CIC pela psicóloga Margareth Kuhn Martta - Foto: Divulgação CIC

Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais - verbais ou físicas - feitas de maneira repetitiva por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. Com esta definição, a psicóloga Margareth Kuhn Martta deu início à apresentação do tema que pautou o Café com Informação de maio, realizado nesta quarta-feira (25), pelo Conselho da Mulher Empresária/Executiva da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). Para a especialista, os jovens não encaram mais o professor como uma autoridade dentro da sala de aula. A referência de tradição da escola não existe mais e o que predomina é o individualismo, num claro sintoma das distorções da sociedade contemporânea, em que a ordem é "eu tenho direito a tudo".

Sem denominação na Língua Portuguesa, o termo bullying é entendido como ameaça, tirania, intimidação, opressão e maltrato e pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, família, vizinhança e até no trabalho. Doutora em Educação, Margareth explicou que a prática do bullying pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa por meio do preconceito, humilhação e difamação. Entre os sintomas observados nas vítimas estão as reações depressivas, isolamento, queda no rendimento escolar, ansiedade, comportamentos agressivos e doenças psicossomáticas.

Para a especialista, após a "cultura do narcisismo" e da "cultura do espetáculo", a sociedade se depara com a "cultura do direito". A demanda do "querer" e o culto à felicidade disseminaram o prazer obtido a qualquer custo e contribuiu para promover o individualismo. Com isso, os atos de violência indicam que a vida em sociedade não exige renúncia alguma. "Daí decorre o risco de o sujeito se autorizar a reagir contra tudo o que lhe impõe limites", comentou a psicóloga.

Ela ainda sustentou que todos os artefatos que constroem os ideais contemporâneos estão impregnados de uma intolerância em conviver com a diferença do outro, e com o outro. Entre as alternativas para se combater o bullying, Margareth disse que os pais devem passar para os filhos instrumentos emocionais para lidar com a vida, educar prevendo leis e interdições psíquicas, para que as crianças não pensem que podem ter tudo a qualquer preço, e fortalecer a aliança entre a família e a escola. O debate foi mediado pela integrante do Conselho da Mulher da CIC Lisete Oselame.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC

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