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Romeu Zema critica custo Brasil, defende controle de gastos públicos e aponta entraves à produtividade

Gerais

Publicado em 09/04/2026

Pré-candidato à Presidência participou da RA desta quinta-feira (9) - Foto: Antônio Machado
Pré-candidato à Presidência participou da RA desta quinta-feira (9) - Foto: Antônio Machado

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, Romeu Zema, afirmou que o ambiente de negócios no Brasil permanece adverso e que o País precisa de ajuste fiscal, segurança jurídica e melhora na produtividade para retomar o crescimento. A declaração foi feita durante palestra na RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), realizada nesta quinta-feira (9).

Zema iniciou a palestra destacando sua trajetória empresarial e a experiência no setor privado. “Eu sempre fui empresário, saí da empresa em outubro de 2016. Nos 30 anos anteriores, eu conduzi um processo de expansão da empresa que saiu de quatro para 470 lojas”, revelou. Ao relatar a complexidade de empreender no País, afirmou: “Metade do meu tempo eu dediquei para entender a tributação. Então eu sei muito bem, acho que melhor que qualquer outro pré-candidato, as dores do setor privado”. 

O pré-candidato criticou a percepção sobre o papel do empresário no Brasil. “O Brasil conseguiu criar, me parece que nesses últimos anos, a ideia de que ser empresário é algo semelhante a ser criminoso”, afirmou. Segundo ele, essa visão impacta diretamente no ambiente de investimentos.

Ao apresentar resultados de sua gestão em Minas Gerais, Zema comparou a atração de investimentos antes e depois de seu governo. “No governo anterior, o estado atraiu 26 bilhões de investimentos. Durante os meus sete anos de governo, nós levamos para Minas Gerais R$ 540 bilhões de investimentos”, disse. Ele atribuiu o desempenho à aproximação com o setor produtivo. “Nada no meu governo foi feito sem a participação do setor produtivo”, reforçou.

O ex-governador também destacou indicadores econômicos e de emprego. “Criamos mais de um milhão de empregos com carteira assinada. Em Minas, hoje, nós temos a menor taxa de desemprego da história”. Ao comparar o cenário nacional, observou a perda de relevância do Brasil na economia global. “Na década de 80, o Brasil chegou a representar 4% do PIB mundial. Os últimos dados apontam que é 2,3%, com tendência de queda”, disse.

Na área fiscal, Zema defendeu redução do tamanho do Estado e controle de gastos. “Nós reduzimos 50 mil cargos entre administração direta, estatais e autarquias”, disse. Também citou medidas de contenção de despesas na gestão pública. “Comecei por mim mesmo e, em vez de morar em um palácio, fui morar em uma casa que eu pago o aluguel. Só com isso economizei R$ 3 milhões por ano para o estado de Minas. Está longe de resolver os problemas, mas o exemplo conta”.

Ao tratar de juros e crédito, o pré-candidato associou o custo do dinheiro ao desequilíbrio fiscal. “Juros de 20% ao ano inviabilizam praticamente qualquer investimento no Brasil”, afirmou. Segundo ele, a consequência é direta: “Investimento pequeno significa menos modernização, menos competitividade, menos produtividade”.

O pré-candidato também abordou segurança pública e citou o impacto econômico da violência. “Imaginem aqui 40 mil homicídios por ano. O que isso significa? 40 mil famílias traumatizadas”, sustentou. Ele defendeu medidas mais rigorosas no combate ao crime. “Colocar bandido atrás das grades, que é o que o Brasil não faz”.

Na avaliação de Zema, o País precisa de mudanças estruturais na condução do Estado. “Um país que tem um governo rico e povo pobre está condenado a dar errado”, disse. E concluiu ao defender maior responsabilidade na gestão pública. “O setor privado no Brasil merece ser respeitado, não colocados obstáculos”.

Ao abrir o evento, o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, reforçou a preocupação da entidade com o cenário econômico e regulatório. Em trecho de seu discurso, destacou que propostas como mudanças na jornada de trabalho exigem cautela e base econômica consistente. Segundo ele, decisões dessa natureza precisam considerar produtividade, competitividade e os efeitos sobre custos, inflação e emprego, sob risco de aprofundar um ambiente já marcado por crédito restrito e baixo dinamismo da atividade econômica. “Sem avanços consistentes em produtividade, qualquer redução de jornada por imposição legal tende a produzir um efeito colateral indesejado, que é menos competitividade, menos investimento, menos emprego”, alertou Rezler.

Fonte: Assessoria de Imprensa CIC Caxias - Jornalista Marta Guerra Sfreddo (MTb6267)

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