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Ricardo Hingel: carga tributária está na raiz dos entraves ao crescimento brasileiro
Publicado em 23/03/2026
A carga tributária brasileira está na origem dos principais problemas estruturais da economia e compromete o crescimento, a competitividade e a capacidade de investimento do País. A análise foi feita pelo economista Ricardo Hingel na RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), realizada nesta segunda-feira (23), ao abordar o tema dos entraves estruturais da economia brasileira. Hingel se apresenta como economista de orientação liberal, com carreira como executivo no mercado financeiro nacional e consultor empresarial com ênfase em estratégia econômica e financeira.
Durante a palestra, Hingel sustentou que a expansão do gasto público ao longo das últimas décadas elevou a carga tributária para níveis que limitam o dinamismo econômico. Segundo ele, o modelo atual desloca recursos do setor produtivo para sustentar um aparato estatal elevado, reduzindo consumo, investimento e poupança, que são, na sua visão, pilares do crescimento. O economista destacou que a tributação excessiva impacta diretamente a produtividade e a competitividade da indústria, além de contribuir para inflação, juros elevados e encarecimento do crédito.
Ao detalhar os efeitos desse modelo, Hingel explicou que o aumento dos gastos públicos gera desequilíbrios fiscais, pressiona a inflação e exige taxas de juros mais altas, o que desacelera a economia e restringe a expansão das empresas. Dados apresentados pelo economista indicam que o Brasil tem registrado desempenho inferior ao da economia global e mantém níveis de investimento abaixo da média internacional, o que ajuda a explicar o crescimento limitado nas últimas décadas. “Ao longo dos anos e décadas de equívocos praticados nas políticas econômicas que se sucederam, os orçamentos foram utilizados como instrumentos de tomada e controle do poder, juntamente como atendimento de interesses privados e que condenaram o Brasil a desenvolvimentos pífios, muito aquém de suas potencialidades e geraram seu subdesenvolvimento crônico. O populismo fiscal é a marca de tudo”, afirmou.
Na abertura do evento, o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, contextualizou o debate ao apontar preocupações imediatas da entidade com o cenário econômico. Ele citou a pressão recente sobre os custos, especialmente com a elevação do diesel, e os reflexos sobre a produção e a cadeia logística. Também mencionou o avanço do debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1, destacando a necessidade de que o tema seja tratado com base técnica e considerando seus reflexos sobre a competitividade das empresas e a sustentabilidade dos negócios.
A reunião-almoço foi realizada em parceria com o Instituto de Estudos Empresariais (IEE), ocasião em que foi formalizado um convênio de cooperação entre as duas entidades. A iniciativa tem como objetivo ampliar a cooperação institucional e desenvolver ações conjuntas voltadas ao fomento do empreendedorismo, à qualificação do ambiente de inovação e à conexão da região com espaços de debate de relevância nacional. A assinatura foi conduzida pelo presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, e pelo presidente do IEE, Tiago Carpenedo, entidade responsável pela organização do Fórum da Liberdade, que ganhou espaço de divulgação no início da RA.
O painel de perguntas ao palestrante e o encerramento do evento foram conduzidos pelo vice-presidente de Comércio da CIC Caxias, Marcos Rossi Victorazzi. Em sua manifestação, ele destacou que a redução da carga tributária pode ser uma medida eficaz para estimular a atividade econômica, ao ampliar a capacidade de investimento das empresas e dinamizar o mercado. Segundo Victorazzi, uma abordagem que considere não apenas a arrecadação, mas também os efeitos econômicos de longo prazo de uma tributação menor, tende a produzir resultados mais consistentes para o desenvolvimento.
Fonte: Assessoria de Imprensa CIC Caxias - Jornalista Marta Guerra Sfreddo (MTb6267)