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09/09/2019 | REUNIÃO-ALMOÇO

Crescimento mais robusto da economia somente no segundo semestre de 2020, diz economista na CIC

Helena Veronese participou da reunião-almoço da entidade que comemorou os 22 anos do Bando da Mulher de Caxias do Sul - Foto: Julio Soares
Helena Veronese participou da reunião-almoço da entidade que comemorou os 22 anos do Bando da Mulher de Caxias do Sul - Foto: Julio Soares

Ao afirmar que indicadores de atividade econômica, no Brasil, apontam para uma recuperação bem mais lenta do que o esperado pelo mercado, e que há um risco de desaceleração das principais economias desenvolvidas no horizonte de até dois anos, a economista Helena Veronese avaliou o cenário político e macroeconômico nacional e internacional. Helena foi a palestrante da reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) nesta segunda-feira (9), em evento comemorativo aos 22 anos do Banco da Mulher de Caxias do Sul.

“Se no segundo semestre de 2018, a confiança, em particular a do consumidor, era um bom antecedente de recuperação do consumo, não é exagero dizer que em 2019 os indicadores de confiança têm sido um redutor do crescimento”, afirmou, referindo-se à expectativa de que este seria o ano da recuperação após a euforia verificada em janeiro. “O cenário está complicado. O mundo está atrapalhando um pouco, mas vamos conseguir crescer se continuarmos a fazer a lição de casa. Acredito que somente no segundo semestre de 2020 teremos um período de crescimento mais robusto”, ressaltou.

De acordo com Helena, que é economista-chefe da Azimut Brasil, a expectativa de crescimento, que em janeiro era de 2,53%, atingiu a mínima de 0,80%, apesar de o PIB do segundo trimestre surpreender positivamente com alta de 0,4%, impulsionado pelo desempenho da indústria, investimentos e serviços.  Para a palestrante, a evolução da taxa de desemprego é o pior lado da crise. “O crescimento da ocupação vem acompanhado pela queda no rendimento médio real, que certamente é um sinal amarelo às perspectivas de consumo”, explicou.

Além disso, a elevada subutilização da força de trabalho e a fraca atividade econômica ajudam a explicar os baixos salários das vagas oferecidas. São 24,2 milhões de pessoas trabalhando por conta própria, revelou. Já o lado “bom” do desemprego, conforme a economista, é o controle da inflação, que, somado à capacidade ociosa, permite que a economia cresça sem gerar pressões em um primeiro momento. “Este cenário inflacionário dá flexibilidade para o Banco Central manter o ritmo de afrouxamento monetário”, observou.

Reforma da Previdência e Tributária - A executiva da Azimut Brasil ponderou que a Reforma da Previdência foi o primeiro e importante passo para resolver a questão fiscal brasileira (que ela classificou como “o permanente calcanhar de Aquiles”), ainda marcada por déficit primário e aumento do endividamento bruto. Sem espaço para fazer renúncias fiscais ou aumentar impostos, a única forma de o governo conseguir dominar a questão fiscal é via continuidade de reformas macro e microeconômicas, opinou.

Cenário internacional - Na área internacional, apesar da economia apresentando índices de crescimento e pleno emprego, Helena prevê que os Estados Unidos podem estar seguindo rumo à recessão. Mesma situação experimentada pela Alemanha e pela Europa de modo geral, como consequência do desempenho da economia alemã, já que ela responde, sozinha, por 30% da economia da Zona do Euro, além de ser a quarta maior do mundo.

A desaceleração da economia chinesa, segundo ela, já não é novidade. “A indústria do país atingiu em agosto seu pior nível em 17 anos”, ilustrou. De acordo com a economista, a mudança de modelo de crescimento explica parte do cenário. “Diante das dificuldades impostas por um cenário global mais fraco e um possível acirramento da guerra comercial, o governo chinês já começa a estudar medidas de estímulo”, disse.

Banco da Mulher – Fundado em 1997 por iniciativa da CIC, o Banco da Mulher de Caxias do Sul, hoje uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), foi homenageado pelo presidente da entidade, Ivanir Gasparin. Ele fez a entrega à presidente do Banco da Mulher, Silvana Dalle Grave, uma placa exaltando o trabalho social exercido pela instituição e a dedicação de dezenas de voluntárias que fazem a gestão do banco desde a sua fundação. Sua atuação é voltada ao desenvolvimento humano e financeiro da população de baixa renda. A organização disponibiliza capital de giro para compra de matéria-prima e de máquinas e equipamentos para quem pretende abrir, ampliar ou melhorar o próprio negócio.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC - Jornalista Marta Guerra Sfreddo (MTb6267)

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