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Negócios Internacionais

Publicado em 05/07/2017

Mauro Vencato - Foto: Candice Giazzon/CIC
Mauro Vencato - Foto: Candice Giazzon/CIC

Mauro Vencato
Diretor de Negócios Internacionais da CIC e supervisor Comercial do Porto Seco Transportes Ltda

Em meio a tantas notícias ruins nas esferas política, social e econômica, sempre é interessante comentar sobre ações e investimentos que estão sendo feitos pelas empresas que estão no ramo da logística nacional e internacional. O recente investimento em equipamentos que o terminal de containers do Porto de Rio Grande (Tecon) fez para receber navios maiores que ainda não operam no Brasil; o início das operações do Terminal Santa Clara – ação conjunta entre Tecon Rio Grande e Brasken – para o retorno de oferta do serviço de navegação interior regular para transporte de containers entre Triunfo e Rio Grande; a nova concessão do Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre, com a proposta de rapidamente aumentar o comprimento da pista para receber aviões de passageiros e cargueiros maiores, para que possamos despachar e receber cargas diretamente a outros países sem a necessidade da dependência de aeroportos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro: exemplos que reforçam as intenções de desenvolvimento. 

Podemos citar outras ações pelo Brasil afora, como as da Associação dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), de planejar a infraestrutura marítima dos portos paranaenses para os próximos 20 anos; a Associação Hidrovias RS, que conta com o apoio de entidades como Farsul, Fiergs, Famurs e Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), o aumento significativo da cabotagem (navegação entre portos de um mesmo país ou a distâncias pequenas, dentro das águas costeiras). Contudo, o Brasil ainda está muito aquém, sobretudo em relação às rodovias não pedagiadas, que dispensam comentários, e às ferrovias. No caso da malha Sul, a concessionária não dá a devida atenção para cargas que não sejam granéis sólidos e líquidos, combustíveis e fertilizantes. Incansavelmente, comenta-se que o Brasil necessita de mais malha ferroviária. Importante lembrar que o País atingiu o ápice por volta de 1950 e após houve uma redução inaceitável. O Brasil cresceu, mas o transporte ferroviário foi reduzido drasticamente. 

A intermodalidade de transportes é essencial para que todo o sistema logístico funcione com custo atraente, pois o comércio internacional, primeiramente, se faz transportando as cargas eficientemente dentro do País. O custo logístico interno é cerca de três vezes mais caro em comparação com países como Estados Unidos, Japão, China e Europa. Estudos mencionam que apesar dos elevados custos de produção internos e carga tributária, nossos produtos ainda são competitivos. Basta ver o agronegócio, que continua sendo o grande impulsionador das exportações. Produzimos bem no campo e nas fábricas, porém agregamos custos elevados quando enviamos as mercadorias para qualquer parte do Brasil ou exterior. 

O Brasil perde competitividade a cada ano, pois os investimentos em infraestrutura são parcos e não correspondem à velocidade da produção e consumo. A Serra Gaúcha é ainda mais afetada, pois está geograficamente distante de portos. E, infelizmente, não tem a ferrovia, que seria a grande alternativa para escoamento e recebimento da produção, além das malconservadas rodovias. 

Vale lembrar que em 2016 o Brasil participou com 1,2% das exportações (25º) e 0,9% das importações (28º) do comércio mundial. Comparando, temos a mesma participação da Malásia nas exportações, e da República Tcheca nas importações, países menores em extensão territorial e capacidade produtiva. A recessão dos últimos anos no Brasil certamente reduzirá essa participação. 

É eminente que haja uma mudança profunda na infraestrutura de transporte de cargas e passageiros, e isso passa pela sociedade organizada e governos, pois não precisamos inventar, basta viajar, conhecer outros países, copiar e implementar com as devidas adaptações. A essência do funcionamento da intermodalidade de transporte deve ser mantida, pois o formato atual é ultrapassado e nos prejudica no comércio internacional. 

Ainda há tempo, porém teremos que iniciar as mudanças rapidamente, senão continuaremos sendo o país do futuro que nunca chega.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CIC